Juiz ordena indenização a tutoras de cadela triturada em caminhão de lixo

Publicado em 12/04/2026, às 23h04
Imagem Juiz ordena indenização a tutoras de cadela triturada em caminhão de lixo

Por Folhapress

A Justiça determinou que a Prefeitura de Ponta Grossa e a Ponta Grossa Ambiental indenizem em R$ 36 mil as tutoras de uma cadela que foi jogada em um triturador de lixo após ser atropelada, reconhecendo o sofrimento causado à família pela brutalidade do ato.

O juiz destacou que a cadela era parte do núcleo familiar e que a ação de descartar o animal no caminhão violou os deveres de cuidado com a vida animal e o direito ao luto das tutoras.

A Prefeitura e a Ponta Grossa Ambiental têm a opção de recorrer da decisão, enquanto a prefeitura já anunciou que registrará um boletim de ocorrência e afastou os envolvidos, aguardando responsabilizações no caso.

Resumo gerado por IA

As tutoras de uma cadela jogada no triturador de um caminhão de lixo após ser atropelada em Ponta Grossa (PR) serão indenizadas em R$ 36 mil, decidiu a Justiça.

O valor deverá ser pago conjuntamente pela Prefeitura de Ponta Grossa e pela Ponta Grossa Ambiental, empresa que opera a coleta de lixo na cidade. As informações constam na decisão judicial à qual a reportagem teve acesso.

A Justiça entendeu que a cadela fazia parte do núcleo familiar das tutoras. A decisão a favor da indenização foi dada porque a morte dela causou sofrimento "evidente e grave" à família, afirmou a decisão.

Além disso, o juiz destacou a brutalidade da morte como um fator agravante do caso. Ele reconheceu que a atitude de jogar a cadela atropelada no caminhão de lixo "viola os deveres mínimos de cuidado à vida animal", a dignidade da família e o direito ao luto das tutoras.

Durante o processo, a prefeitura afirmou que a PG Ambiental seria a única responsável pelo caso, já que ela é responsável pela coleta na cidade. A empresa venceu o edital de concessão para o serviço em 2008 e desde então opera os caminhões de lixo de Ponta Grossa.

A defesa da concessionária, por sua vez, alegou que a culpa era exclusiva das duas tutoras da cadela, que deixaram Agatha sair de casa. O juiz negou as duas alegações ao emitir a decisão favorável às tutoras.

A Prefeitura e Ponta Grossa Ambiental ainda podem recorrer da decisão. O UOL procurou as duas partes em busca de um posicionamento sobre a ordem de indenização. O espaço segue aberto para manifestação e será atualizado se houver resposta.

Na época do ocorrido, a prefeitura lamentou o caso e disse que registraria um boletim de ocorrência. Em nota, a prefeitura de Ponta Grossa afirmou que a Secretaria de Meio Ambiente pediu o afastamento imediato dos envolvidos. O órgão também declarou que "aguarda providências e responsabilização" no caso.

A PG Ambiental, por sua vez, informou que o motorista e o coletor não seguiram o protocolo. A empresa também disse que "a guarda e vigilância de animais domésticos são de responsabilidade exclusiva de seus tutores".
Relembre o caso

A cadela Agatha foi atropelada após escapar de casa, em 8 de maio de 2025. Ao UOL, a tutora dela, Ana Julia Rodrigues, que é estudante de medicina veterinária, explicou que Agatha saiu pelo portão da garagem em um momento de descuido. Quando o pai dela foi procurá-la, não a achou em casa, mas viu vísceras e pelos dela na rua.

Após encontrar sangue na rua, a família olhou imagens de câmeras de segurança da própria casa e viu o animal sendo jogado no triturador. As imagens mostram que o caminhão atropela Agatha e, segundos depois, o coletor pega a cadela pelas patas e a arremessa no veículo, junto aos sacos de lixo.

A ação impediu qualquer chance de Agatha sobreviver, diz tutora. "Recebemos dezenas de animais eviscerados [no curso de veterinária] e eles não morrem no momento do acidente. Ele [o coletor] subjugou seu óbito e terminou com todas as chances que ela tinha de sobreviver", afirmou. Segundo a estudante, o coletor contou à PG Ambiental que constatou a morte do animal no local, o que ela contesta.

"Não pudemos ter acesso ao corpo, pois, como a atendente da Ponta Grossa Ambiental me informou, depois de passar pela prensa, não sobra nada", disse Ana Julia Rodrigues a reportagem.

Agatha tinha cinco anos e estava com a estudante desde que nasceu. Ela e os irmãos foram deixados na casa de Ana Julia para serem amamentados por outra cadela da família. Os outros filhotes foram doados após a amamentação.

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