Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais, foi nomeada inventariante dos bens de seu tio, Miguel Abdalla Neto, encontrado morto em janeiro, em meio a uma disputa de herança avaliada em R$ 5 milhões com sua prima, Carmem Silvia Gonzalez Magnani.
A decisão judicial favoreceu Suzane, pois, apesar de seu histórico criminal, ela é a única herdeira habilitada, já que seu irmão não se manifestou no processo e a prima não possui direitos legais sobre a herança.
Com a nomeação, Suzane pode administrar os bens, mas não pode vendê-los sem autorização judicial, enquanto investigações sobre a morte do tio e acusações de furto contra Suzane estão em andamento pela polícia.
Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais em 2002, foi nomeada pela Justiça inventariante dos bens de seu tio, o médico Miguel Abdalla Neto, 76, encontrado morto no dia 9 de janeiro.
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A empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima do médico, disputava a função com Suzane. A herança é estimada em R$ 5 milhões. Ela alega ter vivido uma união estável com o médico por 14 anos.
A decisão judicial aponta que Carmen é parente colateral de quarto grau e "não ostenta condição de herdeira já que precedida pelos sobrinhos, parentes colaterais de terceiro grau, nos termos do artigo 1.840 do Código Civil."
O outro herdeiro é Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, mas ele não se habilitou no processo até o momento, sendo Suzane a única habilitada para a função.
"Neste quadro, impõe-se a nomeação da sobrinha habilitada nos autos ao cargo de inventariante. Esclareço que o histórico criminal da herdeira não tem relevância jurídica nestes autos e, considerada a falta de manifestação de interesse por parte do outro herdeiro, é ela a única pessoa apta ao múnus [à tarefa]", aponta trecho da decisão.
Com a nomeação, Suzane tem autorização para manutenção dos bens do espólio, mas não pode vender ou transferir os bens sem prévia autorização judicial.
Duas semanas após a Polícia Civil de São Paulo iniciar a investigação de uma denúncia de furto à residência de Miguel, Carmen registrou um boletim de ocorrência acusando Suzane de tomar posse indevidamente de vários bens.
De acordo com o documento, a acusação se baseia no inventário que foi aberto na Vara de Família e Sucessões do Foro Regional de Santo Amaro, no qual "Suzane admitiu expressamente ter subtraído e estar na posse dos bens do espólio (carro e demais bens), sem qualquer autorização judicial para tanto".
No documento, Suzane afirmou ainda ter soldado o portão da casa para proteger os bens que, acredita, podem ser seus.
No boletim de ocorrência são listados os itens que estariam de posse da sobrinha: um carro Subaru prata ano 2021, uma lavadora de roupas, um sofá, uma cadeira/poltrona e uma bolsa contendo documentos e dinheiro.
A reportagem tentou falar com Suzane por telefone e por mensagem de texto para comentar a acusação, mas ela não respondeu até a publicação deste texto.
O boletim de ocorrência, que foi registrado na última terça-feira (3). O 27º DP (Campo Belo), que iniciou a investigação do furto dos bens no dia 20 de janeiro, e dará continuidade à apuração.
HOMEM FOI ENCONTRADO MORTO EM JANEIRO
Miguel Abdalla Neto foi encontrado morto no dia 9 de janeiro na sala de casa no Campo Belo, bairro da zona sul de São Paulo. A polícia afirmou que aguarda a conclusão dos laudos do IML (Instituto Médico Legal) para esclarecer a causa da morte do médico.
Abdalla Neto foi tutor de Andreas, após o assassinato dos pais deles, em 31 de outubro de 2002. Ele era irmão de Marísia, mãe de Suzane e Andreas.
Ré confessa, Suzane foi condenada em 2006 a quase 40 anos de prisão. Na época, ela tinha quase 19 anos e era estudante de direito da PUC-SP.
Suzane obteve liberdade provisória em junho de 2005 por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ela voltou a ser presa meses depois após a exibição de uma entrevista concedida ao "Fantástico", da Rede Globo, durante a qual ela foi orientada pelos advogados a chorar e demonstrar fragilidade diante das câmeras.
Em 2006, ela teve a domiciliar provisória permitida pelo então ministro Nilson Naves, do STJ, mas a decisão foi cassada no mês seguinte.
Em 2016, saiu pela primeira vez da prisão durante o feriado de Páscoa. Ela está desde janeiro de 2023 em regime aberto.
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