Publicado em 07/04/2026, às 17h22
A Justiça de Alagoas tornou réus os donos de uma clínica de reabilitação e a tia de Claudia Pollyanne pela morte da esteticista, ocorrida em agosto de 2025, mas negou a prisão preventiva dos acusados, autorizando busca e apreensão em seus endereços.
A denúncia do Ministério Público aponta que Claudia foi submetida a violência contínua, incluindo espancamentos e uso excessivo de medicamentos, resultando em sua morte após sete meses de cárcere privado, sem respaldo legal.
Os donos da clínica já estão presos por outros crimes, e o processo sobre a morte de Claudia segue para a fase de instrução, enquanto a defesa alega que existem provas que poderiam comprovar a inocência dos réus.
A Justiça de Alagoas aceitou parcialmente a denúncia do Ministério Público do Estado e tornou réus os donos da clínica de reabilitação e a tia de Cláudia Pollyane pela morte da esteticista, ocorrida em Marechal Deodoro no dia 9 de agosto de 2025. A decisão dessa segunda-feira, 06, foi da juíza Fabíola Melo Feijão, que negou o pedido de prisão preventiva para os três, mas decretou busca e apreensão nos endereços residenciais e na comunidade terapêutica.
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Além disso, a magistrada também determinou a quebra do sigilo de dados das comunicações telefônicas dos aparelhos encontrados durante a busca, assim como o afastamento do Sigilo Telemático dos aplicativos de cada celular, para coleta de todo conteúdo armazenado em nuvem vinculado aos usuários.
Entre os elementos que serão alvo da investigação policial estão computadores e mídias periféricas (pen drives, CDs, etc.); celulares; e os seguintes documentos: receituários médicos, laudos médicos, contratos de prestação de serviços com os pacientes, termos de consentimentos dos pacientes, prontuários psicológicos e médicos entre outros documentos que possam ser considerados pertinentes pela polícia.
Segundo informações divulgadas pela Comissão de Amigos de Cláudia Pollyanne, um dos donos da clínica passou a responder por homicídio qualificado, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de cárcere privado qualificado, sendo apontado como o principal executor das agressões e responsável direto pela morte. Já a outra dona responde por homicídio qualificado e cárcere privado qualificado, acusada de participar das agressões e permitir e aderir às práticas violentas dentro da clínica.
Por outro lado, a tia da vítima tornou-se ré por cárcere privado qualificado, e é apontada como responsável por manter Cláudia internada contra a própria vontade mesmo após o fim do contrato.
O que diz a denúncia do MPAL
De acordo com a denúncia, Cláudia Pollyanne foi submetida a um cenário contínuo de violência, com relatos de espancamentos frequentes, uso de força física e administração excessiva de medicamentos para deixá-la dopada e sem capacidade de reação. Testemunhas ouvidas no inquérito relataram que a vítima era agredida com socos, chutes e golpes de estrangulamento, muitas vezes diante de outros internos.
Ainda conforme a investigação, a esteticista permaneceu por cerca de sete meses em cárcere privado, período em que já não havia respaldo contratual ou autorização legal para sua permanência na clínica. No dia da morte, a vítima teria sido novamente submetida a agressões e não resistiu. Foram constatadas múltiplas lesões pelo corpo, além de sinais compatíveis com asfixia e violência contínua.
Donos de clínica estão presos por outro crime
Mesmo com o pedido de prisão do caso Claudia Pollyanne sendo indeferido pela juíza, os dois donos da clínica já estão presos por conta de outro processo, no qual são réus por crimes de tortura e estupro praticados contra outros internos da mesma comunidade.
Agora, o processo da morte da esteticista segue para a fase de instrução, com produção de provas e oitiva de testemunhas antes do julgamento final.
O que diz a defesa
Em entrevista à TV Pajuçara, a advogada da dupla responsável pela clínica, Aretha Campos, alegou que existiram outros mecanismos que poderiam ter sido investigados pelo Ministério Público “para chegar à verdade real dos fatos”.
“Existem provas nos autos que indicam que eles são realmente inocentes. O que a defesa contesta são as atitudes do Ministério Público com relação à falta de uso desses mecanismos e fechar os olhos para algumas provas, principalmente vídeos, testemunhos e coisas graves, que poderiam ter sido de melhor forma investigados e não condenar inicialmente o meu cliente e a esposa dele”, argumentou a advogada.
Confira na íntegra a reportagem do Fique Alerta:
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