Nordeste

Mãe de DJ raptada, espancada e morta em Fortaleza pede Justiça

Diário do Nordeste | 28/08/19 - 23h18
Divulgação/Diário do Nordeste

“Que não seja mais uma Karolina, mais uma Dandara, ou outras que eles escolhem para matar e matam”. As palavras da mãe de Ana Karolina de Sousa Santos, DJ de 19 anos raptada, espancada e morta no dia 28 de julho deste ano, marcam o primeiro mês da morte da vítima. Uma selfie e uma mensagem com a promessa de que Karolina iria ver a mãe na noite daquele dia ainda estão salvas em seu celular.  “Vou mais tarde, mãe”.

Amigos de Karolina afirmaram que ela estava com eles e a namorada, Ariadne, em um churrasco, no Bairro Parangaba, quando o casal teria saído para comprar maconha em um lugar já conhecido pelas duas, no Bairro Bom Sucesso. Ao demorarem, outro casal de mulheres foi à procura delas e também desapareceu. 

Segundo a Polícia Militar, as quatro mulheres, incluindo Karolina, estavam uma praça, localizada no cruzamento das avenidas Perimetral e Osório de Paiva, onde foram abordadas por cinco homens em um táxi e feitas em reféns dentro do carro e no porta-malas do veículo. Em seguida, as vítimas foram levadas para a Rua Santa Terezinha, onde ocorreu o espancamento. Abandonadas pelos criminosos com ferimentos graves, as mulheres foram encaminhadas para o Instituto Doutor José Frota (IJF). A mãe afirmou, ainda, que, dentre as agressões, ocorrera, também, estupro. Ana Karolina não resistiu aos ferimentos. 

A mãe alegou que o proprietário da  residência na qual a filha estava pediu para que uma delas fosse comprar a droga e acredita que ele esteja envolvido no assassinato de Karolina. “Para mim, ele está envolvido no caso (agressão e morte) da minha filha. Como ele sabia que elas não eram dali, ele deveria ter ido comprar ou acompanhado as duas. Para mim, foi algo planejado”, afirmou.

“Ela vivia como um pássaro” 

Os amigos de Karolina acreditam que ela foi vítima de homofobia, tendo sofrido as agressões pelo fato de ser lésbica e ter trejeitos masculinos. Já, a mãe, não acredita nesta versão, mas exclama: “quem são eles para matar quem é lésbica, quem é gay, quem é isso, quem é aquilo? Eles não são ninguém! Ela não merecia ser marcada para morrer”.

A mulher, que afirma estar fazendo acompanhamento psicológico em um posto de saúde para lidar com o assassinato de Karolina, disse que espera respostas da Polícia. “Eles ( a Polícia) estão esperando o que para buscar esses bandidos”, indaga.

Ela relatou ainda que enquanto os responsáveis pela agressão e morte de Karolina não estiverem presos, não desistirá de lutar por Justiça: “eu quero ver todos eles na cadeia, porque cadeia para eles ainda é pouco". 

Em nota, A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) continua investigando, por meio da 6ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o homicídio que vitimou Ana Karolina, sem antecedentes criminais. A polícia ressaltou, ainda, que a população pode contribuir com as investigações ao repassar informações que possam auxiliar o trabalho dos agentes. As denúncias podem ser feitas pelo número 181 ou para o Whatsapp do DHPP: ‪‪‪(85) ‪99111-7498. A SSPDS  salientou que o sigilo e o anonimato são garantidos.

Karolina, filha única, teria morrido no local das agressões, segundo a mãe.