Mãe encontra filho “alucinado” após tomar remédio do irmão e faz alerta

Publicado em 13/03/2026, às 14h47
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por Revista Crescer

Uma mãe de Belém compartilhou nas redes sociais a experiência angustiante de encontrar seu filho de 3 anos agitado após ingerir um medicamento destinado ao irmão, utilizado no tratamento de TDAH, o que gerou um alerta sobre a segurança no armazenamento de remédios em casa.

O incidente ocorreu quando o remédio foi deixado temporariamente na mesa da cozinha, levando a criança a apresentar sintomas como agitação extrema e comportamento incomum, o que inicialmente não foi associado à ingestão do medicamento.

Após a situação, a família alterou a forma de guardar os medicamentos, e a mãe enfatizou a importância de prevenir acidentes desse tipo, recebendo apoio da maioria dos internautas que interagiram com seu relato.

Resumo gerado por IA

Uma mãe de três filhos decidiu fazer um alerta nas redes sociais após viver o que descreveu como “um dos piores pesadelos” da sua vida — encontrar o filho de 3 anos “alucinado” após ingerir o remédio do irmão.

No vídeo publicado no Instagram, Ana Caroline Greilich Picanço, 40 anos, de Belém (PA), relatou o susto. “Eu vivi um dos piores pesadelos da minha vida, e esse vídeo é um alerta para vocês. Eu poderia ter perdido meu filho”, afirmou ela, que é mãe de Heitor, de 13 anos, João, de 9, e Pedro, de 3.

Segundo contou à CRESCER, o filho caçula ingeriu o medicamento do irmão do meio, usado no tratamento de TDAH, composto por dimesilato de lisdexanfetamina. O remédio foi colocado temporariamente na mesa da cozinha para evitar que a família esquecesse de administrá-lo antes de sair de casa.

Horas depois, contudo, Ana Caroline percebeu que tinha algo errado com o caçula. Quando chegou em casa, Pedro já havia passado mal. Após o banho, o menino voltou a vomitar e passou a apresentar um comportamento incomum.

“Ele estava com os olhos mais atentos, vidrados e não parava de falar. Foi como se tivessem apertado o botão da fala e não dava pausas”, relatou. Segundo ela, nenhuma tentativa de acalmá-lo funcionava.

Como a criança não apresentava sinais típicos de mal-estar, como vermelhidão ou apatia, a mãe inicialmente não pensou em levá-lo ao hospital. “Para mim, ele estava tendo algo psiquiátrico, alguma desorganização psiquiátrica, principalmente pela questão do nosso filho do meio, João”, contou.

“Confesso que ter tomar algum remédio seria a última possibilidade que eu consideraria. Isso não estava no meu radar”, completou.

Sem apresentar sinais de melhora até a madrugada, Ana Carolina decidiu levá-lo ao pronto-socorro. Lá, quase dez horas após ingerir o medicamento, os pais receberam o diagnóstico. E foi o próprio garoto que revelou ter tomando “o remédio branco”.

Como já havia passado muito tempo desde a ingestão, o tratamento envolveu apenas soro e calmante. Segundo a mãe, ele se recuperou e está bem.
Alerta sobre armazenamento de medicamentos

Após o episódio, Ana Caroline afirma que a família mudou completamente a forma de guardar remédios em casa.

“Os medicamentos não ficavam de livre acesso para eles na casa, mas no meu quarto. Eles ficavam nas gavetas da cabeceira da minha cama – e está super errado! Não pode. As crianças são capazes de coisas inimagináveis”, disse.

Segundo ela, a repercussão do vídeo foi majoritariamente de apoio. “Só 10% das pessoas que interagiram no post me julgou. Os outros 90% me acolheram. Mas, independentemente disso, meu objetivo com o vídeo, que era alertar as famílias, foi alcançado.”

A mãe espera que o relato ajude outras famílias. “Reconheço absolutamente todos os meus erros nesse incidente e, com certeza, os corrigi. A minha maternidade é inabalável. Eu vivo para ser a melhor mãe para eles! Então, se aconteceu comigo, no meu terceiro filho, pode acontecer com qualquer família”, concluiu ela.

Quais são os riscos?

De acordo com Fausto Flor Carvalho, pediatra do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), os medicamentos usados no tratamento do TDAH costumam ser neuroestimulantes – o que explica a reação “alucinada” e o comportamento agitado de Pedro após a ingestão do remédio do irmão.

“As medicações usadas para o TDAH costumam ser análogos da anfetamina, ou seja, são neuroestimulantes, que estimulam o funcionamento do sistema nervoso central. Numa pessoa que está em condições habituais, a ingestão dessa medicação vai trazer efeitos de euforia, agitação psicomotora e, realmente, muita agitação”, explica.

Segundo o especialista, crianças que ingerem o medicamento de forma inadequada podem apresentar sinais como taquicardia, tremores, sudorese, olhar bastante arregalado e grande agitação. “Dá a impressão de que a criança tá em um surto psicótico.”

O pediatra Tadeu Fernando Fernandes, do Departamento de Cuidados Primários da SPSP, acrescenta que a lisdexanfetamina é um psicoestimulante de ação prolongada, indicado para tratar o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em crianças acima de 6 anos e adultos.

Ele ressalta que o medicamento é de tarja preta e pode agir por cerca de 12 horas. “Acidentes acontecem, mas a melhor vacina para isso é a prevenção, evitando que medicações fiquem ao alcance de crianças pequenas.”

Caso uma criança ingira esse tipo de remédio acidentalmente, a orientação é procurar atendimento médico. “É indicado levá-la ao pronto-socorro para ser monitorada e ficar em observação por, pelo menos, 12 horas, que é o tempo de ação do remédio. Além disso, é preciso tratar como se fosse uma intoxicação medicamentosa, porque ele não tem indicação em crianças pequenas.”

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