O médico Roberto de Amorim Leite foi condenado a seis anos de reclusão por violação sexual e importunação sexual contra duas pacientes durante consultas em Alagoas, com a decisão ainda cabendo recurso. A sentença também resultou na perda de seu cargo público, reconhecendo a incompatibilidade entre sua função e os crimes cometidos.
Os abusos ocorreram sob o falso pretexto de procedimentos clínicos, com as vítimas acreditando que estavam sendo submetidas a exames necessários. A Justiça considerou que os atos não foram isolados, mas parte de um padrão de comportamento reiterado, corroborado por testemunhas e relatos de outras pacientes.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou indenização por danos morais às vítimas, destacando o impacto psicológico profundo causado pelos abusos. O promotor de Justiça enfatizou a importância de denunciar e responsabilizar os agressores para evitar a impunidade e o silêncio das vítimas.
A Justiça de Alagoas condenou, na última quinta-feira, 19, o médico Roberto de Amorim Leite pelos crimes de violação sexual, mediante fraude e importunação sexual, cometidos contra duas pacientes durante consultas na UBS Felício Napoleão, no Jacintinho. A denúncia foi ofertada pelo Ministério Público do Estado em novembro de 2024. A decisão cabe recurso, informou o MP-AL ao divulgar a sentença condenatória nesta segunda-feira, 23.
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O médico foi condenado a seis anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, pela prática dos dois crimes. A sentença da 4ª Vara Criminal da Capital também determinou a perda do cargo público do médico, reconhecendo a incompatibilidade entre a função exercida e os atos praticados, além de manter a suspensão do exercício da função até o trânsito em julgado.
Também aceitando o que requereu o MPAL, a Justiça fixou indenização por danos morais para ambas as vítimas, reconhecendo que “o sofrimento imposto dispensa prova material, por se tratar de dor íntima, silenciosa e persistente”.
“A decisão reafirma um entendimento fundamental, que estabelece que o consultório médico não pode ser espaço de violência, e o saber técnico jamais pode ser usado como instrumento de dominação, abuso ou silenciamento”, disse o promotor de Justiça José Carlos Castro, da 2ª Promotoria de Justiça da Capital, que tem atribuição para atuar na esfera criminal.
A reportagem não conseguiu o contato com a defesa do médico e deixa o espaço aberto para posicionamento.
A denúncia
Segundo a denúncia do MPAL, os crimes ocorreram no contexto da relação médico-paciente, onde as vítimas relataram que os abusos foram praticados sob o falso pretexto de procedimentos clínicos, em situações nas quais elas acreditavam estar sendo submetidas a exames necessários.
Em um dos casos, o argumento apresentado pelo Ministério Público foi acolhido pelo Judiciário, que reconheceu a prática de violação sexual mediante fraude, quando o profissional se valeu da posição técnica e da falsa necessidade de exame para cometer atos libidinosos. Em outro, ficou configurado o crime de importunação sexual, diante de condutas invasivas, comentários de cunho sexual e simulações de atos libidinosos durante a consulta.
Para a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, os fatos explicados na petição deixam claro que não se tratam de atos isolados ou mal interpretados, mas de comportamentos reiterados, confirmados por relatos firmes das vítimas e corroborados por testemunhas, inclusive servidores da unidade de saúde, que confirmaram constrangimentos semelhantes e resistência de pacientes em retornar ao atendimento com o médico.
"Na ação, o MPAL mostrou que os efeitos dos abusos não se encerraram no momento da violência, demonstrando, em um novo caso exemplificado, que uma outra vítima passou a evitar completamente a unidade de saúde, deixando de realizar acompanhamentos médicos por medo e trauma. Na decisão judicial, o magistrado responsável pela sentença reconhece o abalo psicológico profundo causado às mulheres, destacando que, em crimes dessa natureza, a violência atinge diretamente a dignidade, a autonomia e a integridade emocional das vítimas", citou o MP-AL no site oficial.
“Casos como este evidenciam a importância de denunciar, investigar e responsabilizar, para que o silêncio não seja imposto às vítimas e para que a impunidade não se torne regra”, acrescentou o promotor.
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