Ele contém nutrientes importantes para o bom funcionamento do corpo, principalmente durante o outono
Presente na alimentação humana há pelo menos 8 mil anos, o mel é um dos alimentos mais antigos consumidos pela humanidade. Muito antes do surgimento do açúcar refinado, ele era o principal adoçante natural utilizado em diferentes culturas, valorizado não apenas pelo sabor, mas também pelas suas propriedades. Ao longo da história, ele ocupou um papel importante na nutrição, na medicina tradicional e em práticas culturais, sendo muito associado ao cuidado com a saúde e ao bem-estar.
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Com a chegada do outono e a queda das temperaturas, aumenta a busca por alimentos que trazem conforto e fortalecem a imunidade. Nesta época do ano, o consumo do mel, por exemplo, tende a crescer, refletindo um movimento cada vez mais presente: a busca por alternativas mais naturais na alimentação.
Ainda assim, o equilíbrio continua sendo a base de uma rotina saudável. De acordo com a Dra. Isolda Prado, nutróloga, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e professora de Nutrologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apesar da imagem de alimento natural, o consumo do mel exige moderação.
“Uma colher de mel (aproximadamente 20 g) fornece cerca de 60 kcal, compostas basicamente por carboidratos simples. O alimento contém nutrientes como vitaminas do complexo B (B2, B3, B5 e B6), traços de vitamina C e minerais como potássio, cálcio, fósforo, magnésio, ferro, zinco e manganês, mas não em quantidades expressivas do ponto de vista nutricional. Por isso, deve fazer parte de uma dieta equilibrada”, explica.
Conforme a Dra. Isolda Prado, o mel é um dos poucos alimentos que não estraga quando bem armazenado. A cristalização é um processo natural e não indica adulteração. O cuidado principal é evitar aquecê-lo em excesso, acima de 40 °C, pois isso pode reduzir suas enzimas e compostos bioativos benéficos.
Além disso, conforme a médica, existem diversos tipos de mel, que variam conforme a flor de origem (néctar) — responsável por diferenças de sabor e cor —, a região geográfica, a espécie de abelha e o processamento. Para produzir 1 kg de mel, as abelhas precisam visitar cerca de 2 milhões de flores.
Entre os tipos de mel, há o silvestre, produzido a partir de diversas flores, e os monoflorais, oriundos de uma única flor, como laranjeira (mais claro e suave) e eucalipto (mais escuro e intenso), além de variedades como cipó-uva, aroeira e assa-peixe.
O mel de abelhas sem ferrão, como jataí, uruçu e mandaçaia, é mais líquido, ácido e aromático, além de bastante valorizado por ser mais raro. O mel orgânico é produzido sem o uso de agrotóxicos nas áreas de coleta. Em geral, quando o mel é mais escuro, tende a apresentar maior teor de antioxidantes do que os mais claros.

Produzido pelas abelhas, a partir do néctar das flores, o mel concentra compostos bioativos que despertam o interesse da ciência. A Dra. Isolda Prado lista alguns dos benefícios do alimento:
A Dra. Isolda Prado explica que, em pessoas saudáveis, a regra é moderação no uso do mel, como alternativa ao açúcar refinado. Portadores de diabetes, síndrome metabólica e outros distúrbios relacionados devem ter cautela. Apesar de ser um adoçante natural, o mel eleva a glicemia de forma semelhante ao açúcar comum, impactando o controle glicêmico. Seu consumo deve estar inserido em uma dieta saudável e equilibrada.
Além disso, a médica explica que o mel não deve ser oferecido a crianças menores de 1 ano, devido ao risco de botulismo infantil, causado pela possível presença de esporos da bactéria Clostridium botulinum.
O própolis contém compostos com propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias, podendo auxiliar no combate a alguns microrganismos, mas sua eficácia varia conforme o tipo e a concentração. Além disso, não substitui antibióticos convencionais em infecções graves e não age contra todos os tipos de bactérias ou vírus. Seu uso deve ser complementar, e não uma alternativa principal ao tratamento médico adequado.
“Para um consumo saudável, dê preferência ao mel puro e de procedência confiável, pois há risco de adulteração, com substituição parcial por xaropes ou açúcar. Atenção às quantidades e lembre-se de que o mel entrega benefícios para a saúde, mas não se deve exagerar. Apesar de ser um açúcar natural, é calórico e não é um medicamento”, alerta a nutróloga.
Por Edna Vairoletti
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