Polícia

Membros da SSP podem ser sócios de empresas clandestinas, diz PF

Operação Securitas da Polícia Federal quer evitar o surgimento de milícias em Alagoas

08/04/16 - 18h12 - Atualizado em 08/04/16 - 19h48
TNH1/Bárbara Pacheco

Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta (08), o delegado regional executivo da Polícia Federal (PF) em Alagoas, André Costa, admitiu a possibilidade de integrantes da Secretaria de Segurança Pública participarem de empresas que prestam serviço clandestino de segurança patrimonial e pessoal no estado.

“Há informes que têm participação de membros da Segurança Pública [envolvidos nas atividades ilegais dessas empresas] e a gente ainda verifica esse tipo de informação. O servidor público pode ser sócio de qualquer empresa, só não pode administrar a empresa, pode ter cotas. Se ele [servidor público] administra uma empresa, ele responde processo administrativo, que pode resultar em demissão”, explicou o delegado.

A Polícia Federal apresentou detalhes da primeira fase da Operação Securitas, finalizada nessa quinta (7), que fiscalizou e notificou empresas clandestinas de segurança em Maceió e Arapiraca.

Um dos principais objetivos da fiscalização é evitar o surgimento de milícias e que a população não seja vítima, onde diversas pessoas sem formação profissional e registro da atividade atuam.

“A empresa deve ser cadastrada e autorizada pela Polícia Federal, que vai fiscalizar e ver se essa empresa tem condições de prestar esse serviço. Além disso, precisam ter seguranças também cadastrados, que precisam fazer um curso de formação, com reciclagem constante a cada dois anos, com teste psicológico, de armamento. O que não acontece com uma empresa clandestina”, disse André Costa.

De acordo com o delegado, empresas regularizadas, com profissionais formados são prejudicadas por empresas clandestinas, que não estão regularizadas e oferecem risco à população.

André Costa ainda disse que “a maioria dos supermercados e outros estabelecimentos comerciais contratam vigilantes sem formação” no estado e que os estabelecimentos são notificados pela contratação de empresas irregulares.

De terça (5) a quinta (7), equipes da PF compareceram a oito locais denunciados, mas apenas três foram notificadas pelo serviço prestado irregularmente, uma em Maceió e duas em Arapiraca. A operação, no entanto, deve ter caráter permanente.

Durante as fiscalizações, diversos materiais, como coletes não balísticos, algemas, fardamentos, rádios HT, central de rádios e tonfas foram apreendidos.

As empresas tem dez dias, a partir do dia em que foram notificadas, para a regulamentação. Caso ainda exerçam a atividade de forma irregular, deverão ser fechadas.

A reportagem tentou contato com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública, mas as ligações não foram atendidas.

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