Ministério Público aponta inconsistências em inquérito sobre morte do cão Orelha

Publicado em 07/02/2026, às 08h22
Ministério Público aponta inconsistências em inquérito sobre morte do cão Orelha - Reprodução
Ministério Público aponta inconsistências em inquérito sobre morte do cão Orelha - Reprodução

Por Carlos Villela / Folhapress

O Ministério Público de Santa Catarina anunciou que solicitará medidas complementares à Polícia Civil após identificar inconsistências no inquérito sobre a morte do cão Orelha, destacando a necessidade de uma investigação mais detalhada sobre a participação dos adolescentes suspeitos.

A 10ª Promotoria de Justiça apontou que três dos quatro adolescentes investigados não foram incluídos no inquérito, enquanto a 2ª Promotoria questiona a relação entre a agressão ao cão e a suposta coação contra um porteiro, sugerindo que as interações foram mal interpretadas.

A defesa do adolescente indiciado refuta as alegações e destaca a influência de desinformação nas redes sociais, além de afirmar que não há planos de enviar o jovem para a Austrália, enquanto ativistas pedem a federalização do caso, que foi negada pela polícia.

Resumo gerado por IA

Três dias após a conclusão do inquérito sobre a morte do cão Orelha, o Ministério Público de Santa Catarina anunciou nesta sexta-feira (6) que vai pedir medidas complementares à Polícia Civil devido a supostas inconsistências nas investigações.

Segundo comunicado do órgão, as promotorias de Justiça que acompanham o caso da morte de Orelha e da suposta coação feita por parentes dos adolescentes contra um porteiro dizem que é necessária uma reconstrução mais precisa do que aconteceu. A polícia ainda não se manifestou publicamente sobre o pedido.

A 10ª Promotoria de Justiça apontou lacunas na apuração da participação dos adolescentes considerados suspeitos da agressão a Orelha. Dos quatro oficialmente investigados, três ficaram de fora do inquérito.

Já a 2ª Promotoria de Justiça, que acompanha o processo sobre coação, defende mais apuração sobre alguns pontos do caso. Dentre eles está a possibilidade de não haver relação entre o episódio de agressão a Orelha e a suposta coação que teria sido cometida por três familiares adultos contra um porteiro.

É o que sustentam tanto a defesa do adolescente indiciado por suspeita de agressão contra o cão Orelha quanto os pais de um de outro jovem que foi inicialmente considerado suspeito, mas teve o envolvimento descartado.

Eles dizem que a suposta coação, na verdade, foram conversas com o porteiro após um desentendimento entre ele e os dois jovens na noite do dia 12 de janeiro, quando os adolescentes entravam no condomínio para ir a uma festa.

Segundo relatos, o funcionário enfrentava problemas com adolescentes do condomínio devido a episódios de mau comportamento e perturbação do sossego. Ele teria compartilhado imagens dos dois menores em um grupo de WhatsApp e dito que suspeitava que ambos estavam envolvidos na agressão a Orelha.

De acordo com a Polícia Civil, o cão foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, localizada no norte da ilha de Florianópolis.

Uma imagem que a polícia considera importante para provar o envolvimento do adolescente na agressão contra Orelha é um vídeo que mostra o jovem deixando o condomínio às 5h25 da manhã, acompanhado de uma amiga, e retornando às 5h58. A polícia estima que Orelha foi atacado em torno das 5h30.

Laudos periciais apontam que o animal sofreu um golpe contundente na cabeça, que poderia ter sido causado por um chute ou um objeto como madeira ou uma garrafa.

Imagens que circulam na internet como lesões graves em outras partes do corpo ou ferimentos feitos a pregos foram descartadas.

A defesa do adolescente indiciado aponta que o caso é influenciado por desinformação nas redes sociais, e diz que o jovem e a família enfrentam ameaças feitas online e exposição de dados pessoais.

Os advogados também questionam como a polícia estima o horário da agressão se não há imagens que mostrem o ocorrido.

Nesta sexta, a defesa negou que familiares estejam se mobilizando para enviar o jovem para a Austrália para escapar da possibilidade de internação, conforme solicitado pela Polícia Civil na conclusão do inquérito.

Segundo a defesa, o adolescente tem um parente que mora no país e essa informação foi distorcida em uma narrativa falsa.

Grupos ativistas e parlamentares ligados à causa animal também questionaram o resultado do inquérito e pedem a federalização do caso. Na segunda-feira (2), o delegado Ulisses Gabriel disse em nota que federalizar a investigação não era cabível porque "não há não há omissão da Justiça Catarinense, impunidade e grave violação de direitos humanos".

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