MP denuncia filho de Popó por tentar aliciar jogador alagoano em esquema de apostas

Publicado em 06/02/2026, às 08h25
Reinaldo, alagoano jogador do Mirassol - Foto: Reprodução/Jogada 10
Reinaldo, alagoano jogador do Mirassol - Foto: Reprodução/Jogada 10

Por Terra

O Ministério Público do Paraná denunciou Igor Freitas, filho do boxeador Acelino 'Popó' Freitas, e outros dois sócios por aliciamento de jogadores para manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro, enfrentando acusações de associação criminosa e corrupção esportiva.

A denúncia é resultado da 'Operação Derby', que começou com uma oferta de R$ 15 mil a jogadores do Londrina e revelou um esquema de fraude em larga escala envolvendo contatos com atletas e casas de apostas.

O Gaeco cumpriu mandados de busca e apreensão em várias localidades e, se condenados, os envolvidos podem enfrentar penas de dois a seis anos de prisão, além de multas e reparação por danos ao esporte.

Resumo gerado por IA

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) ofereceu denúncia nesta quinta-feira (5) contra o empresário Igor Freitas — filho do tetracampeão mundial de boxe Acelino "Popó" Freitas —, seu sócio Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro. O trio é acusado de orquestrar um esquema de aliciamento de jogadores, entre eles, Reinaldo, do Mirassol, para manipular resultados nas três principais divisões do Campeonato Brasileiro (Séries A, B e C). Os denunciados responderão pelos crimes de associação criminosa, previsto no Código Penal, e corrupção em âmbito desportivo, tipificado na Lei Geral do Esporte (Lei 14.587/2023).

A denúncia é um desdobramento robusto da "Operação Derby", deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em setembro de 2025. A investigação teve início apurando uma oferta de R$ 15 mil feita a pelo menos três jogadores do Londrina para que forçassem cartões amarelos em uma partida da Série C daquele ano. A partir daí, o MP desenhou a teia que ligava o grupo a tentativas de fraude em escala nacional.

Igor Gutierrez Freitas, filho do boxeador Popó
Igor Gutierrez Freitas, filho do boxeador Popó

O "método Popó" e a abordagem a Reinaldo
O documento ao qual a reportagem do portal "ge" teve acesso detalha a estratégia de abordagem, liderada por Igor Freitas. Utilizando o prestígio do pai, ele contatava atletas via Instagram e WhatsApp com um discurso corporativo ensaiado, apresentando-se como representante com "acesso direto às maiores empresas do mercado nacional" e atuando em "projetos estratégicos, ativações e negociações de patrocínios". Após ganhar a confiança da vítima, ele encaminhava o contato para Rodrigo Rossi, apresentado como alguém que operava com "mais de 25 casas de apostas legalizadas no Brasil".
O print abaixo mostra o primeiro contato com o lateral Reinaldo, do Mirassol:
Após obter o número de telefone do atleta sob o pretexto de negócios legítimos, Igor repassava o contato para Rodrigo Rossi, a quem descrevia como um sócio com acesso a "mais de 25 casas de apostas legalizadas". No entanto, quando a conversa migrava para a manipulação de resultados, a resposta de Reinaldo foi enfática. Em agosto de 2025, o jogador do Mirassol encerrou o contato:
"Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão".
Lista de compras e briga por dinheiro
Os prints anexados ao processo revelam que a ambição do grupo ia além do interior paulista. Em um diálogo interceptado, Raphael Ribeiro (identificado como "Raphael Suprema Poker") instrui Rodrigo a expandir as operações para o Centro-Oeste e Nordeste:
"Fecha os 2 do Goiás e 1 do Sport", escreveu, sugerindo a cooptação de múltiplos atletas simultaneamente.
A investigação também expôs a desorganização e os conflitos internos da quadrilha. Em uma troca de mensagens ríspida, Raphael cobra valores não repassados por Rodrigo, evidenciando que o dinheiro ilícito circulava sem controle:
"Deve estar achando que sou otário…Cadê meu dinheiro irmão????"
Mandados de busca e apreensão
Para embasar a denúncia, o Gaeco cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal em Salvador (BA) e Itapema (SC), em operação conjunta com as forças de segurança locais em setembro passado.
Se condenados, as penas variam de dois a seis anos de reclusão, além de multa. O Ministério Público também requereu o pagamento de R$ 150 mil por dano moral coletivo, para reparar o prejuízo à integridade do esporte. As defesas não se manifestaram sobre o caso.

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