O Ministério Público Federal em Alagoas se reuniu com trabalhadores do Hospital Veredas para discutir a intervenção judicial e a regularização dos salários, que ainda enfrentam atrasos e incertezas nos pagamentos.
Apesar de dois pagamentos recentes, a gestão interventiva não cumpriu o fluxo mensal de R$ 3 milhões, gerando preocupações sobre acordos não formalizados e a comunicação deficiente entre trabalhadores e administração.
O MPF se comprometeu a manter os trabalhadores informados e agendou novas reuniões periódicas, com a próxima marcada para abril, visando esclarecer a situação financeira e as negociações em andamento.
O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas realizou, na tarde desta segunda-feira (16), nova reunião com representantes dos trabalhadores do Hospital Veredas, em Maceió/AL, para atualizar informações sobre a intervenção judicial na unidade e acompanhar o cumprimento dos acordos firmados com a atual gestão para a regularização dos pagamentos salariais.
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O encontro foi conduzido pelo procurador regional dos direitos do cidadão, Bruno Lamenha, e integra a agenda periódica estabelecida pelo MPF com os trabalhadores e suas entidades representativas, com o objetivo de garantir transparência, diálogo contínuo e monitoramento das condições de trabalho durante o período de intervenção.
Durante a reunião, os representantes relataram que, apesar do pagamento recente de duas parcelas salariais, ainda persistem atrasos e incertezas quanto à regularidade dos repasses. Segundo o procurador, foi informado pela gestão interventiva que o fluxo mensal de recursos — estimado em cerca de R$ 3 milhões — não foi efetivado na data prevista, o que resultou na ausência de pagamento dos salários mais recentes.
Os trabalhadores demonstraram preocupação quanto à falta de formalização de acordos previamente negociados com a gestão do hospital, especialmente no que se refere à implementação de escala emergencial e ao abono de faltas relacionadas ao período de greve. De acordo com os relatos, houve divergências entre as partes quanto aos termos dessas medidas, o que tem gerado insegurança entre os profissionais.
Outro ponto discutido foi a dificuldade de comunicação com a administração do hospital e com representantes institucionais, o que, segundo os trabalhadores, tem dificultado o acesso a informações atualizadas sobre pagamentos e decisões administrativas. O cenário tem contribuído para o aumento da insatisfação da categoria, que não descarta a possibilidade de retomada de paralisações.
No âmbito judicial, o procurador informou que houve recente decisão relacionada a pedido de bloqueio de valores, bem como tratativas em andamento sobre a renovação do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que fundamenta a intervenção. O município de Maceió já manifestou concordância com a renovação, enquanto o Estado de Alagoas ainda avalia sua adesão, o que pode impactar a dinâmica dos repasses e a continuidade das obrigações assumidas, destacando que espera que não aconteça.
Bruno Lamenha reforçou o compromisso do MPF em manter os trabalhadores informados e em buscar soluções institucionais para garantir a estabilidade do funcionamento do hospital e o respeito aos direitos trabalhistas. Como encaminhamento, ficou definida a continuidade das reuniões periódicas, sendo o próximo encontro agendado para o mês de abril, quando se espera já haver maior definição sobre os repasses financeiros e os desdobramentos das negociações em curso.
O MPF reafirma sua atuação como mediador institucional na busca por soluções que assegurem tanto a manutenção dos serviços de saúde à população quanto a proteção dos direitos dos trabalhadores envolvidos.
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