Mulher internada após usar caneta emagrecedora teve dores no corpo e enjoo

Publicado em 22/01/2026, às 12h28
Reprodução/TV Globo
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Por Folhapress

Kellen Antunes, de 42 anos, foi diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré após usar canetas emagrecedoras sem orientação médica, levando a uma internação em Belo Horizonte devido a complicações neurológicas.

A mulher apresentou sintomas como dor intensa e perda de movimento nas pernas, e sua família destacou a circulação de informações falsas sobre o caso, defendendo a mãe e pedindo foco na recuperação.

A Anvisa já havia proibido a venda das canetas emagrecedoras, alertando sobre os riscos associados ao uso de medicamentos sem registro no Brasil, e reforçou que a importação de tais produtos deve seguir rigorosos requisitos legais.

Resumo gerado por IA

Uma das filhas de Kellen Antunes, 42, diagnosticada com Guillain-Barré após usar canetas emagrecedoras sem recomendação médica, mostrou nas redes sociais as mensagens que a mãe enviou antes de ser hospitalizada.


Em 14 de dezembro a mulher disse que foi ao médico porque estava com muita dor no corpo. "De madrugada comecei a sentir dor no corpo e nariz entupiu. Custei a dormir de novo", disse Kellen em mensagem à filha Millena.

À filha, Kellen também disse que chegou ao hospital desidratada e tomou duas bolsas de soro. Ela também fez exames de sangue, urina e uma tomografia, segundo o relato publicado nas redes sociais.

Jovem perguntou se a mãe contou aos médicos que estava aplicando a caneta emagrecedora e ela respondeu que sim. "Eu tinha que tomar amanhã, mas não vou mais. Deus me livre, estou passando muito mal", disse Kellen.

A mulher disse estar desconfiada de que o problema poderia "ser dengue, ou outra coisa". Mesmo assim, foi liberada a voltar para casa após a passagem pelo hospital. Em mensagens enviadas em ao menos três dias diferentes, a mulher conta à filha que está passando por atendimentos médicos.

A última mensagem enviada à filha antes da internação foi escrita pelo marido de Kellen, informando que a mulher perdeu o movimento das pernas. "Ela não melhorou da questão do sangue na urina e de ontem para cá ela começou a perder os movimentos das pernas. Não consegue mais ficar sentada sozinha", disse o homem.

Outra filha de Kellen disse que informações falsas sobre o caso têm circulado e pediu que parem. "Jamais eu vou falar que a medicação do Paraguai é ruim. Eu não sei (...) Parem de ficar inventando coisas absurdas e culpando a minha mãe. Agora não é hora de achar culpados e agora a gente está focado na recuperação da minha mãe", relatou Dhulia Antunes, em uma gravação publicada no Instagram.

RELEMBRE O CASO

A auxiliar administrativa Kellen Antunes foi internada em Belo Horizonte após usar canetas emagrecedoras vindas do Paraguai. Ela foi internada no hospital em dezembro após usar o medicamento sem prescrição médica.

O quadro da mulher evoluiu para problemas neurológicos após a internação. A suspeita é que ela tenha desenvolvido uma síndrome que compromete a musculatura e os movimentos do corpo, além da fala e o funcionamento de órgãos.

Nenhum medicamento pode ser comercializado no Brasil com orientações ou bula em língua estrangeira, segundo a Anvisa. A venda desses produtos, conforme divulgado em novembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, implica em riscos como dificuldade de compreensão para o paciente e erros de administração.

"Casos eventuais de falsificação, adulteração ou produto clandestino fogem à governabilidade brasileira, uma vez que o produto está sob regulação de outros países", afirma a Anvisa, em nota.

Remédios sem registro no Brasil só podem ser importados de forma excepcional e para uso exclusivamente pessoal. Mesmo assim, demanda prescrição médica e o cumprimento de requisitos adicionais, conforme a Anvisa. "Porém, nos casos em que a Anvisa publica proibição específica, a importação, por qualquer modalidade, também fica suspensa", esclareceu.

O órgão proibiu a venda de "canetas emagrecedoras" em novembro. Naquele mês, a Anvisa publicou resoluções proibindo a fabricação, distribuição, importação, comercialização, propaganda e o uso de alguns medicamentos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. "São medicamentos sem registro sanitário na Agência, ou seja, que não tiveram a qualidade, eficácia e segurança de uso avaliadas no Brasil", divulgou à época.

As proibições se aplicam a cinco produtos. São eles T.G. 5; Lipoless; Lipoless Eticos; Tirzazep Royal Pharmaceuticals; e T.G. Indufar. "As medidas [de proibição] foram motivadas pelo aumento das evidências de propaganda e comercialização irregulares das chamadas canetas emagrecedoras, inclusive na internet, o que é proibido para medicamentos no Brasil, (...) a fim de proteger a saúde da população", informou ainda a agência.

SOBRE A SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ

Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune -em que o sistema imunológico começa a atacar partes do corpo. O quadro tem como característica uma piora aguda e progressiva e, depois, uma melhora.

Entre os principais sintomas da síndrome estão dores pelo corpo, fraqueza muscular ou paralisia total dos membros. Também podem ser observadas sensação de dormência e queimação nos pés e pernas que, depois, pode subir até braços e mãos. Outros sinais que podem aparecer são: sonolência, confusão mental, visão dupla, tremores, entre outros.

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