Novo vírus que deixou o mundo alerta pode chegar ao Brasil? Especialistas respondem

Publicado em 27/01/2026, às 22h11
Foto: Arquivo TNH1
Foto: Arquivo TNH1

Por Revista Crescer

Um surto do vírus Nipah em Bengala Ocidental, Índia, gerou preocupações globais devido à sua alta taxa de letalidade, que varia entre 40% e 75%, levando a questionamentos sobre seu potencial para se tornar uma pandemia e atingir outros países, incluindo o Brasil.

O Nipah é um vírus zoonótico que pode ser transmitido de animais para humanos, principalmente por meio de alimentos contaminados e contato próximo entre pessoas, e foi identificado pela primeira vez em 1999 na Malásia, com surtos recorrentes na região do sudeste asiático desde então.

Embora as chances de o vírus chegar ao Brasil sejam consideradas baixas, especialistas enfatizam a importância da vigilância epidemiológica global, especialmente em um mundo com alta mobilidade internacional, enquanto a OMS já classifica o Nipah como uma doença prioritária para pesquisa e desenvolvimento de tratamentos.

Resumo gerado por IA

Você já deve ter se deparado com notícias sobre o vírus Nipah nas redes sociais ou na imprensa. O surto de casos em Bengala Ocidental, na Índia, de fato, deixou o mundo alerta, principalmente devido à alta taxa de letalidade desse tipo de infecção. Por conta disso, é inevitável não se questionar: será que esse vírus tem potencial para se tornar uma pandemia e chegar ao Brasil?

Como o trauma da covid-19 ainda é recente, é natural sentir esse medo. Para responder a essa e outras perguntas das famílias, a CRESCER conversou com Alberto Chebabo, infectologista do laboratório Sérgio Franco, da Dasa, e Cecilia Gama, pediatra da Clínica Mantellie, para preparar um guia com tudo que você precisa saber. Confira!

O que é o vírus Nipah?

O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, transmitido de animais para seres humanos. No entanto, a infecção também pode ser disseminada por meio de alimentos contaminados ou diretamente entre as pessoas. Um ponto importante é: esse não é um vírus novo; ele foi identificado pela primeira vez em 1999 durante um surto entre criadores de porcos na Malásia.

Linha do tempo

  • 1999  O vírus Nipah foi reconhecido pela primeira vez na Malásia
  • 2001 — O vírus foi reconhecido em Bangladesh e surtos quase anuais ocorreram nesse país desde então.
  • 2026 — A Índia enfrenta um novo surto com a confirmação de cinco casos e 100 pessoas em quarentena.

Como o vírus é transmitido?

O vírus Nipah comumente circula entre espécies de morcegos frugívoros (gênero Pteropus), que são muito comuns na região do sudeste asiático. Sua principal via de transmissão é por meio de:

  • Alimentos contaminados (principalmente frutas, como a tâmara, expostas à urina e saliva desses morcegos).
  • Transmissão inter-humana por meio do contato próximo com secreções e excreções humanas.

Quais são os principais sintomas?

Uma das principais preocupações com esse vírus é que seus sintomas iniciais se assemelham muito a um quadro viral comum ou, até, às vezes, a pessoa pode estar assintomática — dificultando o diagnóstico. Os infectados podem sentir:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Dor de garganta;
  • Dor muscular;

A situação se torna preocupante, em geral, após as 48 horas, quando a pessoa pode evoluir para um quadro de:

  • Sonolência
  • Tontura
  • Alteração de consciência

Outro desfecho da doença que requer atenção é a encefalite aguda — uma inflamação que ocorre no cérebro quando um vírus ou mesmo bactérias conseguem atacar a região cerebral diretamente, podendo causar convulsões e até levar ao coma.

O período de incubação do vírus — tempo entre infecção e o início dos sintomas — costuma ser de 4 a 14 dias. No entanto, os especialistas já relataram que esse intervalo pode chegar a 45 dias. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%, podendo variar dependendo da região.

Segundo informações da Organização Internacional de Saúde Pública (OMS), a maioria dos infectados que sobrevive à encefalite se recupera, mas é possível haver sequelas a longo prazo.

  • Aproximadamente 20% dos pacientes ficam com consequências neurológicas residuais, como transtorno convulsivo e alterações de personalidade.
  • Um pequeno número de pessoas desenvolve encefalite de início tardio.

Há chances do vírus chegar ao Brasil?

Embora a letalidade do Nipah assuste, as chances do vírus chegar ao Brasil são pequenas. “Não é desprezível, claro, porque hoje se tem uma movimentação muito grande entre as pessoas de um lugar para o outro por meio dos voos, mas a transmissão não é tão fácil como a covid-19”, destacou Alberto Chebabo.

“O vírus Nipah evolui de uma forma bem grave, com uma letalidade muito elevada. Normalmente, um vírus com alta letalidade tem menor risco de transmissão e disseminação, uma vez que o hospedeiro infectado acaba morrendo, então o risco de pandemia é menos comum”, explica o infectologista.

Por outro lado, a covid-19 se disseminou rapidamente pelo mundo, principalmente devido ao seu alto risco de transmissão.

Apesar do risco baixo, é essencial estar atento aos surtos no sul e sudeste da Ásia. “Como se trata de uma doença zoonótica, a vigilância epidemiológica global é fundamental, especialmente em um mundo com grande circulação internacional”, enfatizou Cecilia Gama.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da infecção é feito por meio de um exame de PCR específico para o vírus Nipah. No entanto, o teste só está disponível comercialmente em laboratórios ligados ao Ministério da Saúde e à Organização Internacional de Saúde Pública.

Há tratamento?

Infelizmente, ainda não existem medicamentos ou vacinas específicas para infecção pelo vírus Nipah. Mas a OMS já identificou o Nipah como uma doença prioritária para o Plano de Pesquisa e Desenvolvimento da entidade de saúde.

Como ainda não há opções terapêuticas disponíveis, o cuidado é de suporte, incluindo:

  • Internação hospitalar;
  • Controle das complicações neurológicas e respiratórias;
  • Isolamento rigoroso;

Quais são os riscos para as crianças e grávidas?

As crianças e gestantes fazem parte do grupo mais vulnerável.

  • Nas crianças, o risco está na rápida evolução para quadros neurológicos graves.
  • Nas gestantes, além do risco de doença grave, há preocupação com desfechos obstétricos desfavoráveis, como parto prematuro e perda gestacional, embora os dados ainda sejam limitados.

Por que o surto da Índia é tão preocupante?

Segundo Cecilia Gama, o surto preocupa, principalmente, porque:

  • Houve transmissão inter-humana;
  • O vírus se disseminou em uma região com alta densidade populacional e em ambientes familiares;

A infecção exige isolamento rigoroso e rastreamento de contatos

Com informações da Organização Internacional de Saúde Pública

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