O novo mapa que revela os segredos escondidos embaixo do gelo da Antártida

Publicado em 19/01/2026, às 18h32
Foto: BBC
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Por BBC News

Um novo mapa da Antártida, criado a partir de dados de satélite, revela a topografia subterrânea do continente, incluindo colinas e cordilheiras desconhecidas, o que pode melhorar a compreensão sobre como a região responderá às mudanças climáticas e seu impacto na elevação do nível do mar.

Os pesquisadores destacam que, apesar de algumas imprecisões, o mapa é o mais detalhado já feito da área, superando o conhecimento atual sobre a superfície de outros planetas do Sistema Solar.

Embora o mapa não seja definitivo e ainda existam incertezas sobre o movimento do gelo, ele representa um avanço significativo e pode aprimorar modelos que preveem a velocidade do derretimento das geleiras na Antártida, essencial para entender a contribuição do continente para a elevação do nível do mar.

Resumo gerado por IA

Um novo mapa revelou a paisagem sob o gelo da Antártida com detalhes inéditos, algo que, segundo os cientistas, pode ampliar significativamente a compreensão do continente branco e congelado.

Os pesquisadores usaram dados de satélite e a física do movimento das geleiras da Antártida para estimar como o continente poderia ser sob o gelo. E encontraram evidências de milhares de colinas e cordilheiras até então desconhecidas.

Segundo os pesquisadores, seus mapas de algumas das cadeias montanhosas ocultas da Antártida estão mais nítidos do que nunca.

Embora os mapas possam apresentar imprecisões, os pesquisadores acreditam que os novos detalhes podem esclarecer como a Antártida responderá às mudanças climáticas e o que isso significará para a elevação do nível do mar.

"É como se antes você tivesse uma câmera analógica com imagem granulada e agora tivesse uma imagem digital bem ampliada do que realmente está acontecendo", disse a pesquisadora Helen Ockenden, da Universidade Grenoble-Alpes (França), principal autora do estudo, em entrevista à BBC News.

Graças aos satélites, os cientistas têm hoje uma boa compreensão da superfície gelada da Antártida, mas o que existe por baixo do gelo continuava sendo, em grande parte, um mistério.

Na verdade, sabe-se mais sobre a superfície de alguns planetas do Sistema Solar do que sobre grande parte do "lado oculto" da Antártida, a topografia sob a camada de gelo.

Agora os pesquisadores afirmam ter o que eles acreditam ser o mapa mais completo e detalhado já feito dessa região subterrânea.

"Fico realmente empolgado ao olhar para isso e ver, de uma só vez, todo o leito da Antártida", afirmou o glaciologista Robert Bingham, da Universidade de Edimburgo (Escócia), coautor do estudo. "Acho isso impressionante."

"É como se antes você tivesse uma câmera analógica com imagem granulada e agora tivesse uma imagem digital bem ampliada do que realmente está acontecendo", disse a pesquisadora Helen Ockenden, da Universidade Grenoble-Alpes (França), principal autora do estudo, em entrevista à BBC News.

Graças aos satélites, os cientistas têm hoje uma boa compreensão da superfície gelada da Antártida, mas o que existe por baixo do gelo continuava sendo, em grande parte, um mistério.

Na verdade, sabe-se mais sobre a superfície de alguns planetas do Sistema Solar do que sobre grande parte do "lado oculto" da Antártida, a topografia sob a camada de gelo.

Agora os pesquisadores afirmam ter o que eles acreditam ser o mapa mais completo e detalhado já feito dessa região subterrânea.

"Fico realmente empolgado ao olhar para isso e ver, de uma só vez, todo o leito da Antártida", afirmou o glaciologista Robert Bingham, da Universidade de Edimburgo (Escócia), coautor do estudo. "Acho isso impressionante."

O novo mapa elaborado pelos pesquisadores dificilmente será definitivo. Ele se baseia em pressupostos sobre a forma exata como o gelo se desloca, o que, como qualquer método, envolve incertezas.

Além disso, ainda há muito a ser descoberto sobre as rochas e os sedimentos que estão sob a camada de gelo.

Mesmo assim, outros pesquisadores concordam que, combinado a levantamentos adicionais feitos em terra, no ar e no espaço, o mapa representa um avanço importante.

"É um produto realmente muito útil", disse Peter Fretwell, pesquisador sênior do British Antarctic Survey, em Cambridge (Reino Unido), que não participou do novo estudo, mas esteve amplamente envolvido em mapeamentos anteriores.

"Ele nos dá a oportunidade de preencher as lacunas entre esses levantamentos", acrescentou.

Segundo os autores do estudo, uma compreensão mais detalhada de cristas, colinas, montanhas e canais pode aprimorar os modelos computacionais que projetam como a Antártida pode mudar no futuro.

Isso ocorre porque essas formas de relevo acabam determinando a velocidade com que as geleiras acima se movem e o ritmo de seu recuo em um clima em aquecimento.

Esse ponto é crucial porque a velocidade futura do derretimento na Antártida é considerada uma das maiores incógnitas da ciência do clima.

"[Este estudo nos dá] uma visão mais clara do que vai acontecer no futuro e de quão rapidamente o gelo da Antártida vai contribuir para a elevação do nível global do mar", concordou Fretwell.

O estudo foi publicado na revista científica Science.

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