A empresária e esposa do cantor Henrique, da dupla Henrique & Juliano, Amanda Vasconcelos, 28, foi solta ontem, um dia após ser detida na Flórida (EUA) sob acusação de desobedecer uma ordem de parada.
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O que aconteceu
Amanda foi presa no Condado de Orange, na Flórida, sob acusação de fugir ou deixar de obedecer a uma ordem de parada da polícia com luzes e sirene ligadas. O crime foi enquadrado em grau 3 pela lei estadual (quanto menor o número, maior a gravidade. O 3 é o mais brando).
No mesmo caso, também houve registro por dirigir sem habilitação válida na Flórida, uma infração (não crime) menos grave. Após a prisão, ela passou pela primeira audiência, em que o juiz avalia se há base inicial para a acusação e define as condições de custódia ou de liberdade provisória.
Por que soltura foi possível?
Nos Estados Unidos, delitos do tipo não impõem prisão obrigatória até o julgamento. A regra geral é que o réu responda ao processo em liberdade, salvo se o juiz identificar risco de fuga, ameaça à ordem pública ou outros fatores específicos.
No caso, o juiz optou por substituir a prisão por medidas cautelares. Uma das acusações teve fiança fixada em US$ 500, enquanto a outra foi reduzida para ROR (Release on Recognizance), mecanismo que permite a soltura sem pagamento de fiança, mediante assinatura de um termo de compromisso. Na prática, isso significa que a Justiça entendeu que medidas menos restritivas eram suficientes para garantir que Amanda compareça às próximas etapas do processo.
O ROR é uma forma de liberação baseada na palavra do acusado. Ao assinar o termo, a pessoa se compromete a comparecer a todas as audiências, manter endereço atualizado no tribunal e cumprir eventuais determinações judiciais.
Se houver descumprimento, o juiz pode determinar nova prisão e expedir mandado. O uso do ROR é comum em audiências iniciais e não interfere no mérito da acusação, que segue tramitando normalmente.
O que dizem os documentos sobre a abordagem
Segundo o relatório policial que embasa a ação, a abordagem começou após um agente observar condução irregular do veículo. Ao tentar realizar a parada com luzes e sirene acionados, o carro teria seguido adiante, mesmo após Amanda olhar para trás em direção à viatura.
O policial relata que o veículo passou por locais onde poderia ter parado com segurança, como acessos e um estacionamento próximo, mas continuou trafegando em velocidade normal. Diante da situação, e conforme o protocolo da corporação, a perseguição foi encerrada.
Os agentes foram até o endereço vinculado à caminhonete e encontraram o veículo estacionado na residência. No local, Amanda teria apresentado versões diferentes sobre a abordagem.
Em um primeiro momento, afirmou que ouviu a sirene, mas não teve certeza de que era para ela. Em seguida, disse que não ouviu os sinais da polícia. Posteriormente, voltou atrás e declarou que ouviu tanto a sirene quanto as luzes, mas acreditou que a ordem era direcionada a outro motorista e que teria tentado "sair do caminho".
Amanda informou que tem carteira de motorista brasileira e apresentou uma cópia digital do documento. Ela afirmou que vive no Brasil e estava nos Estados Unidos apenas para uma visita de duas semanas e que costuma ir ao país apenas em períodos de férias. Durante o procedimento, pediu desculpas diversas vezes aos agentes.
A soltura não encerra o processo. Amanda continua formalmente acusada e deverá responder à Justiça americana. A fase seguinte inclui audiências processuais, apresentação de defesa e eventual julgamento ou acordo.
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