O que é TDA (sem H) que Ana Castela diz ter e por que sigla caiu em desuso

Publicado em 16/03/2026, às 14h32
Foto: Reprodução/Redes Sociais
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Por Uol

A cantora Ana Castela, aos 22 anos, revelou ter sido diagnosticada com TDA, o que a ajudou a entender melhor suas dificuldades e a se sentir mais confiante sobre sua vida. O diagnóstico, embora não formal, refere-se a um perfil específico do TDAH, caracterizado pela desatenção.

O termo TDA caiu em desuso devido a atualizações nas classificações médicas, que agora reúnem sintomas de desatenção e hiperatividade sob o diagnóstico de TDAH. Essa mudança reflete uma melhor compreensão das manifestações do transtorno, que frequentemente ocorrem juntas.

O diagnóstico do TDAH é clínico e envolve uma avaliação detalhada, com foco em sintomas persistentes desde a infância. O tratamento pode incluir psicoeducação, psicoterapia e, em alguns casos, medicação, priorizando técnicas de organização e gestão da rotina para aqueles com predominância de desatenção.

Resumo gerado por IA

A cantora Ana Castela, 22, contou aos seguidores que recebeu o diagnóstico de TDA (Transtorno de Déficit de Atenção). Em uma publicação nas redes sociais, ela disse que a descoberta ajudou a entender dificuldades que enfrentava e brincou com quem pensou que ela teria esquecido o "H" da sigla TDAH.

O que aconteceu

  • A cantora diz que o diagnóstico a fez compreender comportamentos próprios. "Eu ter feito essa consulta já resolveu muitos dos meus problemas. Muitas coisas que eu faço são por conta do TDA", contou.

"Acabei de sair da consulta e vou te falar: agora a minha vida fez sentido. Agora eu entendi tudo já. Eu tenho que passar na neuropsicóloga também. Mas, gente, agora sim a vida é linda; agora sim a vida é bela", disse Ana Castela. 

  • A sigla TDA se popularizou, mas hoje não é um diagnóstico formal. Na prática clínica atual, o termo costuma ser usado para se referir a um perfil específico do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), caracterizado principalmente pela desatenção e com poucos sinais de hiperatividade;
  • A expressão se manteve no uso cotidiano mesmo após mudanças na classificação médica. "Hoje, quando alguém fala em TDA, geralmente está se referindo ao subtipo de TDAH com predominância de desatenção", afirma o psiquiatra Gustavo Yamin Fernandes, coordenador da equipe de psiquiatria do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo;

Por que o termo TDA caiu em desuso

  • A medicina deixou de tratar TDA como diagnóstico separado. Classificações mais antigas utilizavam o termo "Transtorno de Déficit de Atenção", antes de se compreender melhor que diferentes sintomas fazem parte do mesmo quadro clínico, explica Fernandes;
  • A mudança ocorreu com revisões dos manuais diagnósticos. Atualizações do DSM-III-R e versões posteriores passaram a reunir sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade dentro de um único transtorno;
  • A nova classificação buscou refletir melhor a diversidade de manifestações. Com o avanço das pesquisas, ficou claro que esses sintomas frequentemente aparecem juntos e fazem parte de um mesmo transtorno do neurodesenvolvimento;
  • Hoje todas as apresentações são reunidas sob o diagnóstico de TDAH. Sistemas atuais, como o DSM-5-TR e a CID-11, classificam o transtorno com diferentes apresentações clínicas, em vez de diagnósticos separados.

O que caracteriza o TDAH com predominância de desatenção

  • O chamado "TDA" corresponde hoje ao TDAH com predominância de desatenção. Nessa apresentação, a principal dificuldade envolve manter foco, organizar tarefas e acompanhar atividades prolongadas;
  • A ausência de hiperatividade evidente pode fazer o quadro passar despercebido. Diferentemente do perfil mais agitado, essas pessoas muitas vezes não apresentam comportamento inquieto ou impulsivo;

"Frequentemente são indivíduos descritos como distraídos, esquecidos ou com dificuldade para manter foco em atividades prolongadas. Em muitos casos, especialmente na infância, esses pacientes passam mais despercebidos porque não apresentam comportamento disruptivo em sala de aula", Gustavo Yamin Fernandes.

  • Essa característica ajuda a explicar por que muitos casos são identificados mais tarde. Em alguns casos, o diagnóstico só ocorre na adolescência ou na vida adulta;

Quais são os sintomas mais comuns em adultos

  • Os sinais costumam aparecer de forma mais sutil na vida adulta. Entre os sintomas mais frequentes estão dificuldade de concentração em tarefas longas, procrastinação e sensação constante de desorganização. Esquecimentos, perda de prazos e dificuldade em lidar com múltiplas demandas também são comuns;
  • A fadiga mental também pode aparecer. Muitos adultos relatam cansaço ao lidar com atividades que exigem atenção contínua ou tendência a iniciar várias tarefas sem concluí-las, diz Fernandes;
  • Essas dificuldades podem repercutir em diferentes áreas da vida e afetar significativamente a rotina. O impacto pode surgir no desempenho profissional, na vida acadêmica ou na organização do dia a dia;

Como é feito o diagnóstico e o tratamento

  • O diagnóstico do transtorno é clínico. Ele é feito por avaliação psiquiátrica ou neuropsicológica detalhada. A investigação analisa a presença de sintomas persistentes desde a infância. Também é avaliado se essas dificuldades aparecem em mais de um contexto da vida, como trabalho, escola ou ambiente familiar;
  • Questionários e histórico podem complementar a avaliação. Relatos de familiares, registros escolares e instrumentos padronizados ajudam a confirmar o quadro e descartar outras condições;
  • O tratamento costuma seguir princípios semelhantes entre as diferentes apresentações do transtorno. Ele pode incluir psicoeducação, psicoterapia, estratégias de organização e, em alguns casos, medicação;
  • Quando a desatenção é o sintoma predominante, o foco terapêutico costuma priorizar técnicas de planejamento e gestão da rotina. Estratégias de organização e treinamento de habilidades executivas podem ajudar a melhorar o funcionamento no dia a dia.

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