Saúde

OMS: variantes podem atrapalhar meta de imunidade coletiva para Covid

Metrópoles | 04/08/21 - 20h08
Reprodução

A partir da constatação de que a variante Delta do Sars-CoV-2 é mais transmissível, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, nesta quarta-feira (4/8), que será mais difícil alcançar a imunidade coletiva contra a Covid-19.

A entidade mudou de tom sobre a proteção comunitária e agora alega que não é possível determinar a taxa de imunização necessária para atingir o cenário de controle da pandemia. Antes, a OMS indicava que, com um percentual entre 70% e 75%, a imunidade de rebanho seria atingida e a transmissão do vírus estaria sob controle.

“Não sabemos qual o número para atingir a imunidade coletiva. Ao vermos a expansão das variantes, isso significa que são mais transmissíveis e é necessário uma taxa maior de proteção para que haja imunidade coletiva”, explicou Kate O’Brian, diretora de vacinas da OMS durante coletiva de imprensa, em Genebra.

O alerta da entidade vem no rastro da expansão da pandemia, identificada nos números semanais divulgados pela OMS. No último domingo (1/8), foram notificados mais de 4 milhões de novos casos de infecções pelo coronavírus.

Segundo a entidade, esse avanço não está relacionado à eficácia das vacinas, e sim com a suspensão de medidas de controle da transmissão do vírus ou flexibilização das restrições, como os governos preferem chamar.

Terceira dose

A OMS também demonstrou preocupação quanto às doses de reforço, que foram anunciadas recentemente pela Alemanha e Israel. De acordo com a entidade, existe desigualdade cada vez maior na distribuição das vacinas, sobretudo nos países mais pobres.

Por isso, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu que países imponham uma “moratória” e adiem doses de reforço da vacina contra a Covid-19, ao menos até setembro. O objetivo seria garantir o abastecimento de imunizantes para os países mais pobres. Ainda de acordo com a OMS, não há consenso científico sobre o impacto da terceira dose.

Tedros Adhanon enfatiza ainda que há risco de escassez de vacinas para os países mais pobres caso os mais ricos decidam pelo reforço da imunização em suas populações. “Milhões de pessoas não podem ficar em casa, eles trabalham para comer. Eles precisam de vacinas de forma urgente. Mais de 4 bilhões de doses contra a Covid foram administradas globalmente. Não podemos aceitar que os países que mais possuem vacinas usem ainda mais”, destacou o diretor-geral da entidade.