O Brasil pode conquistar seu segundo Oscar consecutivo de melhor filme internacional em 2026 com 'O Agente Secreto', algo que não ocorre desde 1988, quando a Dinamarca venceu duas vezes seguidas.
A Dinamarca, que é considerada a principal concorrente do filme brasileiro, já venceu a categoria anteriormente e tem um filme, 'Valor Sentimental', indicado tanto para melhor filme internacional quanto para melhor filme.
Além de competir com a Dinamarca, o Brasil enfrenta também a França, que possui um filme concorrente na mesma categoria, enquanto a expectativa é que o cinema nacional continue a se destacar em premiações internacionais.
O Brasil pode quebrar um tabu de quase 40 anos no Oscar 2026, neste domingo (15). Se "O Agente Secreto" levar a estatueta de melhor filme internacional, será a primeira vez desde 1988 que o mesmo país é premiado na categoria por dois anos consecutivos --o cinema nacional conseguiu uma vitória inédita em 2025 com Ainda Estou Aqui.
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A Dinamarca foi a responsável pela última vez que um país venceu dois Oscars na sequência, com as consagrações de A Festa de Babette em 1987 e de Pelle, o Conquistador em 1988. Depois disso, o prêmio tem se alternado.
Curiosamente, o país escandinavo é considerado o maior rival de O Agente Secreto na cerimônia desta noite. O elogiado Valor Sentimental tem nove indicações e, além de concorrer com o Brasil na categoria internacional, ainda disputa o maior prêmio, melhor filme, com o longa de Kleber Mendonça Filho.
Apenas outros três países já levaram Oscars consecutivos: Itália, França e Suécia. Os dois primeiros, maiores vencedores da história da categoria, porém, conseguiram o feito em mais de uma ocasião, graças a diretores como Federico Fellini (1920-1993), Vittorio De Sica (1901-1974), François Truffaut (1932-1984) e Marcel Camus (1912-1982).
O cinema italiano foi o primeiro a vencer dois anos seguidos: em 1949, com Ladrões de Bicicleta, e em 1950, com Três Dias de Amor. O país ainda repetiu o "bicampeonato" três vezes: em 1956 e 1957, com A Estrada da Vida e Noites de Cabíria; em 1963 e 1946, com Oito e Meio e Ontem, Hoje e Amanhã; e, por fim, em 1970 e 1971, com Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita e O Jardim dos Finzi-Contini.
A Suécia, "vizinha" da Dinamarca, foi premiada em 1960, com A Fonte da Donzela, e em 1961, com Através de um Espelho. Curiosamente, o país só venceu mais uma vez na premiação: Fanny e Alexander, de Ingmar Bergman (1918-2007), levou a vitória em 1983.
Já a França foi vitoriosa em dois anos consecutivos por três vezes: em 1958 e 1959, com Meu Tio e Orfeu Negro (uma produção francesa com forte tempero brasileiro); em 1972 e 1973, com O Discreto Charme da Burguesia e A Noite Americana; e em 1977 e 1978, com Madame Rosa - A Vida à Sua Frente e Preparem Seus Lenços.
Neste ano, o cinema francês também é um obstáculo para O Agente Secreto: Foi Apenas um Acidente, do iraniano Jafar Panahi, disputa o Oscar de filme internacional pelo país europeu. Em 2025, vale lembrar, Emilia Pérez (falado em espanhol, mas indicado pela França) era considerado o favorito da categoria, mas acabou superado por Ainda Estou Aqui na grande noite.
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