Papa Leão 14 diz que guerra voltou à moda e defende palestinos e venezuelanos

Publicado em 09/01/2026, às 13h17
Arquivo/Reprodução/Redes Sociais
Arquivo/Reprodução/Redes Sociais

Por Folhapress

O papa Leão 14 condenou o uso da força militar em diplomacia e pediu proteção aos palestinos e aos direitos humanos na Venezuela, destacando a fragilidade das organizações internacionais diante de conflitos globais.

Ele criticou a crescente militarização da diplomacia, mencionando a captura de Nicolás Maduro e a necessidade de respeitar a vontade do povo venezuelano, além de abordar a violência na Cisjordânia e a crise humanitária em Gaza.

Leão 14 enfatizou a urgência do controle de armas nucleares e a necessidade de uma gestão ética da inteligência artificial, reafirmando a importância do direito à vida como base dos direitos humanos e defendendo apoio a mães e famílias.

Resumo gerado por IA

O papa Leão 14 condenou o uso da força militar para alcançar objetivos diplomáticos nesta sexta-feira (9), durante seu discurso anual para cerca de 184 embaixadores credenciados junto à Santa Sé, no qual também pediu a proteção dos palestinos e dos direitos humanos na Venezuela.

O sumo pontífice, o primeiro nascido nos Estados Unidos, expressou preocupação com a fragilidade das organizações internacionais diante dos conflitos globais.

"Uma diplomacia que promove o diálogo e busca consenso entre as partes está sendo substituída por uma diplomacia baseada na força", disse. "A guerra voltou à moda e o entusiasmo bélico se espalha. O princípio estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia o uso da força para violar fronteiras, foi quebrado."

Referindo-se à captura de Nicolás Maduro pelas forças dos EUA a mando do presidente Donald Trump no último sábado (3), o papa pediu aos governos que "respeitem a vontade" do povo venezuelano e protejam seus direitos humanos e civis.

Os comentários de Leão 14, que fazem parte do discurso conhecido como "estado do mundo", marcaram o primeiro pronunciamento desse tipo desde sua eleição após a morte de Francisco, em abril do ano passado. Estavam presentes no evento tanto o embaixador dos EUA quanto o da Venezuela.

Embora já tenha criticado algumas políticas de Trump, especialmente sobre imigração, o papa não mencionou o presidente dos EUA pelo nome no pronunciamento desta sexta-feira.
Leão 14 também comentou a violência crescente na Cisjordânia e a crise humanitária na Faixa de Gaza, reiterando que os palestinos têm o direito de viver em paz em sua "própria terra". Ele também falou sobre a guerra na Ucrânia e a urgência de um cessar-fogo imediato.

"A paz já não é mais buscada como um presente e um bem desejável em si mesma, ao contrário, ela é buscada por meio das armas como condição para afirmar o próprio domínio", afirmou. "Isso compromete gravemente o estado de direito, que é a base da convivência civil pacífica."

No discurso de 43 minutos, Leão 14 usou um tom firme e alertou também para o rápido declínio da liberdade de expressão nos países ocidentais. "Uma nova linguagem ao estilo orwelliano está se desenvolvendo, que, na tentativa de ser cada vez mais inclusiva, acaba excluindo aqueles que não se conformam às ideologias que a alimentam", afirmou.

O papa também criticou o que chamou de "discriminação religiosa sutil" sofrida por cristãos na Europa e nas Américas. Abordou ainda o aumento das tensões no Caribe e no Pacífico, alertando que isso representa "grave preocupação".

Leão 14 destacou ainda a urgência do controle de armas nucleares, mencionando a iminente expiração do Tratado New START em fevereiro e alertando sobre o retorno à corrida armamentista com armas cada vez mais sofisticadas pela inteligência artificial. Para ele, a IA "exige uma gestão apropriada e ética", com estruturas regulatórias que protejam a liberdade e a responsabilidade humana.

O papa reafirmou que o direito à vida é a base de todos os outros direitos e alertou que o atual quadro de direitos humanos pode perder sua vitalidade quando os direitos se desconectam da realidade e da verdade. Leão 14 reiterou a rejeição da Igreja a práticas que "negam ou exploram a origem da vida" e defendeu que os recursos públicos devem apoiar mães e famílias, não "suprimir a vida".

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