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“Perfil encantador”, diz gerente de bar sobre “Playboy do golpe”

Metrópoles | 23/04/22 - 11h51
Ruan foi preso pela segunda vez na última quinta-feira (21/4) | Foto: Reprodução

Perfil “encantador”. Foi assim que a gerente do bar Dona Maria Beach, em Palmas (TO), vítima do “Playboy do golpe“, Ruan Pamponet Costa, definiu o homem. De acordo com Sara Silva, o rapaz de 28 anos ficou por cerca de cinco horas no estabelecimento comendo e bebendo e, ao final, se recusou a pagar a conta no valor de R$ 5,2 mil. Ele também é suspeito de aplicar o golpe em outras unidades da Federação, incluindo o Distrito Federal.

Ruan foi preso pela segunda vez na última quinta-feira (21/4) após dar o calote no bar localizado na orla da Praia da Graciosa, um dos principais pontos turísticos da capital tocantinense. O homem aplicou o golpe dois dias depois de fingir mal-estar em outro bar, desta vez em Goiânia (GO), para deixar de pagar a conta com valor superior a R$ 6 mil. Ele chegou a ser preso, mas foi solto logo depois.

Pedidos luxuosos - Em Palmas, Ruan dividia a mesa de bar com outras pessoas. Os pedidos incluíram frutos do mar, garrafas de whisky de até R$ 1,5 mil, gin importado, energéticos e cervejas.

A gerente afirmou que o golpista era agradável e educado com os garçons e se manteve calmo até mesmo na hora de dar o calote. “Tem um perfil consideravelmente encantador porque ele tem postura, é um cara de postura, fala muito bem. Em nenhum momento, demonstrou agressividade. Então, ele não demonstrava perigo”, disse ela à TV Anhanguera.

“A gente, na verdade, queria fechar a conta pela desconfiança, mas usamos esse argumento de troca de turno para ser uma coisa que não constrangesse. Aí ele pediu para falar comigo, veio com o garçom e pediu para falar com a gerência. Os meninos começaram a questionar porque ele não queria pagar a conta. Pensamos: ‘Tem alguma coisa errada aí’. Foi quando a gente lembrou que estava se falando dessa reportagem do cara que passou mal em Goiânia para não pagar a conta de R$ 6 mil. O garçom começou a pesquisar, encontrou fotos e veio mostrar: ‘Olha, Sara. Olha a tatuagem’. Eu olho para o braço, as mesmas tatuagens. Aí falei: ‘É ele, não tem jeito’”, disse a gerente.

Ruan foi preso em flagrante pela Polícia Militar e levado para a delegacia, onde foi indiciado por estelionato. De acordo com a polícia, ele outras 15 passagens por fraudes. Por isso, o delegado Rodrigo Saud entrou com um pedido para converter a prisão em preventiva,  alegando que o suspeito “não tem respeito pelas instituições e as medidas aplicadas até agora não o impediram de continuar cometendo os golpes”.

A prisão preventiva de Ruan foi determinada na noite dessa sexta-feira (22/4) pelo juiz da 3º Vara Criminal da capital. Dessa forma, ele seguirá preso na Casa de Prisão Provisória de Palmas enquanto responde ao processo. Durante a audiência de custódia ele foi acompanhado por um defensor público.

Histórico de golpes - O modus operandi do suspeito costuma ser o mesmo: consumir os produtos mais caros e dar desculpas para não arcar com os custos. Ele vai a bares e restaurantes badalados. Tem rotina de luxo, festas e saídas com garotas de programa.

Conforme revelou a coluna Na Mira, Ruan Pamponet chegou a consumir R$ 5.810,31 em um bar localizado no Pontão do Lago Sul, em 7 de abril deste ano. Ele saiu sem pagar, e os funcionários chamaram a polícia. O suspeito foi liberado após assinar Termo Circunstanciado de Ocorrência.

Em 2019, o estelionatário veio a Brasília, em abril, e aplicou golpe durante todos os dias da semana em que permaneceu na capital.

Em 12 de abril, um motorista de transporte por aplicativo e duas garotas de programa denunciaram o estelionatário. O motorista relatou, à época, que fez diversas viagens com Ruan. Os percursos incluíam idas à Feira dos Importados, a bares e até mesmo a um motel.

“Durante a madrugada, ele saiu do bar com duas garotas de programa e pediu que eu ficasse esperando. Já era a terceira ou a quarta corrida do dia, apenas com ele. Sempre pedia para adiantar algo em dinheiro, mas ele dizia que ia pagar a conta ao final. Quando chegamos no motel, fiquei aguardando dentro do estabelecimento, mas na parte externa do quarto. Após muita demora, concluí que eu levaria um calote e alertei o fato a uma das meninas, pois elas também poderiam ser vítimas”, contou o homem sem se identificar.

Assim como fez em um bar de Goiânia, o suspeito fingiu que estava passando mal para não arcar com os custos. “Já de manhã, decidi ligar para a PM, e todos foram para a delegacia, incluindo as garotas de programa e o gerente do motel”, contou. O prejuízo do motorista ficou em cerca de R$ 600 por causa das corridas não pagas. As garotas deixaram de receber R$ 1 mil, cada. O motel levou o calote de R$ 3,2 mil.