Petrolíferas condicionam retorno à Venezuela a garantias em reunião com Trump

Publicado em 09/01/2026, às 22h42
Flickr Casa Branca
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Por Folhapress

Petrolíferas dos EUA manifestaram disposição para avaliar investimentos na Venezuela, condicionados a licenças e garantias legais, em resposta à pressão do presidente Donald Trump para reativar a produção petrolífera do país.

Executivos de grandes empresas, como Exxon Mobil e Shell, destacaram a necessidade de mudanças significativas no ambiente legal e comercial da Venezuela para viabilizar novos investimentos, citando riscos históricos e atuais.

Trump prometeu apoio do governo americano para facilitar o retorno das empresas ao país, enquanto a Chevron se comprometeu a aumentar sua produção e investimentos, já que é a única das grandes operando atualmente na Venezuela.

Resumo gerado por IA

Petrolíferas dos Estados Unidos disseram nesta sexta-feira (9) que estão prontas para avaliar ou retomar investimentos na Venezuela, mas deixaram claro que qualquer desembolso dependerá de licenças, garantias legais e apoio financeiro de Washington, em meio à pressão do presidente Donald Trump para reativar a produção do país.

O CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, afirmou durante reunião com Trump que a petrolífera está pronta para avaliar um possível retorno à Venezuela e pode enviar uma equipe técnica nas próximas semanas, mas disse que o país está "ininvestível".

"Nós entramos na Venezuela pela primeira vez nos anos 1940 e tivemos nossos ativos confiscados duas vezes", disse Woods. "Para entrar uma terceira vez, seriam necessárias mudanças muito relevantes em relação ao que vimos historicamente e ao estado atual do país."

"Se analisarmos os marcos legais e comerciais existentes hoje na Venezuela, ela é inviável para investimento", disse, cobrando mudanças nos contratos comerciais, no sistema legal e nas leis de hidrocarbonetos.

O presidente americano prometeu oferecer garantias ao setor, sem detalhar como isso ocorreria. Nesta sexta, ele disse que a Venezuela já entregou 30 milhões de barris aos EUA.
O encontro na Casa Branca reuniu executivos das maiores empresas do setor para discutir o futuro da exploração de petróleo na Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro no sábado (3).

"Se não quiserem entrar, me avisem, porque há 25 pessoas que não estão aqui que poderiam tomar seus lugares", disse Trump aos representantes das companhias.
Desde a operação no sábado, o setor petrolífero tem cobrado garantias legais, financeiras e de segurança por parte de Washington para voltar a operar no país, detentor da maior reserva de petróleo do mundo.

No encontro, o CEO da ConocoPhillips, Ryan Lance, afirmou que bancos americanos, incluindo o Export-Import Bank, podem precisar participar do financiamento de investimentos em petróleo na Venezuela. Já Harold Hamm, da Continental Resources e apoiador de Trump, se recusou a prometer investimentos, apesar de ter demonstrado otimismo em relação à exploração da commodity no país.

Trump afirmou que espera não ter de oferecer um respaldo financeiro às empresas de petróleo para convencê-las a retornar à Venezuela, mas disse que o governo americano irá ajudá-las.

"Espero não ter que dar uma garantia. Vejam, essas são pessoas muito inteligentes. As pessoas mais inteligentes não estão apenas no setor de petróleo ou de negócios. As maiores empresas do mundo estão sentadas em torno desta mesa. Elas conhecem os riscos. Quer dizer, existem riscos. Nós vamos ajudá-las. Vamos tornar tudo muito fácil. Elas vão estar lá por muito tempo", disse Trump.

O CEO da Shell, Wael Sawan, disse que a empresa está pronta para avançar e tem alguns bilhões de dólares em oportunidades na Venezuela para investir, caso receba licenças dos EUA.

"Quando saímos, nos anos 1970, por causa das nacionalizações, tínhamos uma produção de 1 milhão de barris por dia", disse Sawan a Donald Trump.

"Mas mantivemos presença no país durante todo esse tempo e agora temos alguns bilhões de dólares em oportunidades de investimento, sujeitas à aprovação das licenças."

"Portanto, estamos prontos para avançar e ansiosos pelos investimentos, em apoio ao povo venezuelano."

O vice-presidente da Chevron, Mark Nelson, afirmou que a empresa pode elevar em 50% a produção de suas operações atuais na Venezuela em até dois anos. A empresa, a única das três ativa no país, também se comprometeu a fazer mais investimentos.

"Isso significa aproveitar o impulso das melhorias que já fizemos localmente e ampliá-las, criando mais confiança e engajamento entre as pessoas na Venezuela", disse.

Segundo Nelson, a Chevron mantém hoje cerca de 3.000 funcionários em quatro joint ventures no país e, ao longo dos últimos cinco a sete anos, conseguiu elevar a produção de aproximadamente 40 mil barris por dia para cerca de 240 mil barris diários.

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