PF abre inquérito para investigar possível gestão fraudulenta do BRB

Publicado em 03/02/2026, às 13h19
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Por Raquel Lopes/Folhapress

A Polícia Federal abriu inquérito na sexta-feira (30) para apurar possível gestão fraudulenta do BRB (Banco Regional de Brasília). A estatal fez uma proposta de compra do Banco Master, que foi indeferida pelo BC (Banco Central) em setembro do ano passado.
A abertura do inquérito foi informada ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli.

O próprio banco teria analisado que algumas operações podem ter sido feitas para burlar a cláusula de transparência da titularidade das ações na gestão anterior. As informações foram publicadas pela colunista Míriam Leitão do jornal O Globo e confirmadas pela Folha.

O BRB disse, em nota, que encontrou achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório preliminar entregue pela auditoria forense contratada pelo banco junto à Machado & Meyer com suporte técnico da Kroll.

"Prezando pela transparência e dever de colaboração com as autoridades competentes, a fim de confirmar eventuais atos ilícitos, o Banco BRB informa que entregou o relatório à PF, na última quinta-feira [29]. O mesmo relatório também foi entregue na data de ontem [2], ao Banco Central", disse, em nota.

A instituição disse que com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB.

"Medidas estas que correm, parte em sigilo, e que serão reforçadas por novas medidas, com a maior brevidade possível, para garantir a efetividade da preservação dos interesses do Banco", disse.

Como mostrou a Folha, o Banco Central determinou ao BRB em janeiro que faça um provisionamento (reserva financeira) de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master.

Essas carteiras, sem lastro em operações reais, foram descobertas nas investigações que levaram à liquidação do Master e à prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, no dia 17 de novembro do ano passado, na primeira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
As investigações do Ministério Público Federal, com base em denúncia feita pelo Banco Central, apontaram que o Master adquiriu carteiras de crédito da consultoria Tirreno, sem realizar qualquer pagamento, e logo em seguida, os papéis foram vendidos ao BRB. O banco público pagou R$ 12,2 bilhões por elas.

A exigência da provisão no balanço do BRB foi feita pelo BC por meio de um documento chamado de termo de comparecimento, encaminhado ao banco do governo do Distrito Federal no dia 7 de janeiro, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela Folha sob a condição de anonimato.

Até a data da liquidação do Master, o BRB já tinha recuperado cerca de R$ 10 bilhões dos 12,2 bilhões. Essa recuperação foi feita por meio de transferência de ativos feitas pelo Master para cobrir as carteiras fraudulentas, faltando ainda R$ 2,6 bilhões a serem cobertos. É para dar conta dessa perda que o BC está exigindo o provisionamento.

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