A Polícia Federal investiga o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, como líder de uma organização criminosa que fraudou concursos públicos em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, com a esposa dele como uma das beneficiárias das fraudes.
As investigações começaram após a identificação de irregularidades em concursos, como o Concurso Nacional Unificado (CNU), e revelaram que pelo menos 16 pessoas foram beneficiadas, com indícios de respostas idênticas entre candidatos e movimentações financeiras suspeitas.
A Justiça Federal autorizou buscas e apreensões contra os envolvidos, mas negou pedidos de prisão preventiva, enquanto as apurações continuam a revelar a estrutura organizada do esquema criminoso e os altos valores cobrados por aprovações em concursos.
Novos desdobramentos da operação conduzida pela Polícia Federal (PF) para investigar supostas fraudes em concursos públicos apontam o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, como suposto líder de uma organização criminosa responsável por fraudar certames nos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
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O delegado foi citado por dois integrantes do grupo criminoso, em delação premiada. Ele foi apontado como “figura central” e líder do esquema que fraudou diversos concursos, entre eles o Concurso Nacional Unificado (CNU), também conhecido como o “Enem dos Concursos”. Uma das beneficiárias da fraude seria a esposa de Gustavo Xavier.
"Analisando os termos de depoimento temos que: um nacional conhecido por Delegado Xavier, através de preposto tal como Eudes, coagiu Thyago a passar a fraudar concurso público a seu mando", diz trecho da delação.
Ainda é citado que o delegado teria passado a comandar a organização criminosa após ter ameaçado um dos integrantes.
"Gustavo Xavier do Nascimento passou a ter poder de comando na ORCRIM quando, mediante ameaça, fez com que Thyago José cometesse fraude em benefícios de seus aliados. Como elementos de convicção pode ser citada a IPJ 165/2025 na qual são apontadas confirmações dos termos da Colaboração Premiada", diz outro trecho.
A delegação também detalhou o envolvimento de dois policiais civis de Alagoas. Eles são apontados como "parceiros" de crime de Gustavo Xavier. Um deles é o policial Eudson Oliveira de Matos, que seria o "porta-voz" do delegado.
"Eudson Oliveira de Matos: parceiro de crime de Gustavo Xavier, policial civil do Alagoas, atuava como porta voz de XAVIER, além de tentar fraudar o concurso de Delegado da Polícia Civil de Alagoas... Responde criminalmente por crimes violentos. Encontra-se custodiado na Polícia Civil. Elementos de convicção indicam que não deixou de praticar crimes, ainda que encarcerado, vide termo de colaboração premiada e IPJ165/2025", cita trecho.
"Ramon Izidoro Soares Alvez, policial civil do Alagoas, atualmente vereador, integrante da ORCRIM que acompanhava EUDSON para repassar ordens para THYAGO, avisado por aquele da operação policial, vide termo de depoimento em Colaboração premiada e IPJ 179/2025."
A partir dos depoimentos, a Justiça Federal autorizou, nessa terça-feira (17), buscas e apreensões contra todos os investigados, mas negou o pedido de prisão preventiva.
COMO FUNCIONAVA A SUPOSTA FRAUDE
A investigação da Polícia Federal revelou, com base em análises técnicas e dados coletados, fraudes no Concurso Público Nacional Unificado (CNU) de 2024 e em seleções das Polícias Civis de Pernambuco e Alagoas, da Universidade Federal da Paraíba, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. As fraudes teriam beneficiado aos menos 16 pessoas.
Segundo a PF, as invetsigações começaram a partir da checagem de informações obtidas em fontes abertas, que indicavam possíveis irregularidades. Foram solicitados à banca organizadora dos concursos os gabaritos dos candidatos suspeitos. Uma análise comparativa dos dados foi feita e mostrou a existência de respostas idênticas entre diversos participantes, o que levantou fortes indícios de fraude.
Os investigadores também identificaram um grupo de candidatos com padrões incomuns. Esse grupo era formado por pessoas próximas, como familiares. Também houve casos de candidatos que realizaram provas em locais distantes de onde residiam, o que, segundo a PF, teria sido usado para facilitar a atuação do esquema.
As apurações também indicaram que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e articulação prévia. Conversas extraídas de aparelhos celulares apreendidos revelaram negociações financeiras, acertos para aprovação em concursos e até mesmo a definição de valores elevados para garantir resultados. Em um dos casos, o valor cobrado teria chegado a R$ 500 mil.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Polícia Civil de Alagoas, e o espaço segue aberto para posicionamento.
O TNH1 não conseguiu contato com a defesa dos envolvidos.
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