PGR denuncia três delegados por obstrução de justiça no caso Marielle

Segundo a procuradoria, os alvos formaram uma associação criminosa para 'garantir a impunidade de crimes de homicídio', entre eles o da vereadora do PSOL e o motorista Anderson Gomes

Publicado em 13/02/2026, às 16h35
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Por Extra Online

A Procuradoria-Geral da República denunciou três delegados da Polícia Civil do Rio de Janeiro por associação criminosa e obstrução de Justiça, relacionados ao caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. As acusações surgem de um desmembramento do caso que tramita no Supremo Tribunal Federal, visando responsabilizar os delegados por tentativas de atrapalhar as investigações.

Os delegados são acusados de ocultar provas, incriminar inocentes e utilizar testemunhos falsos, em um contexto de impunidade ligado a organizações criminosas no estado. O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, destacou a gravidade das ações dos delegados durante a investigação.

O vice-PGR solicitou a condenação dos delegados, a manutenção de medidas cautelares, a perda de seus cargos e indenização por dano moral coletivo. Além disso, o julgamento de outros cinco acusados de planejar o assassinato de Marielle está agendado para fevereiro no STF, enquanto os executores do crime já foram condenados.

Resumo gerado por IA

A Procuradoria-Geral da República ofereceu nesta sexta-feira, 12, denúncia contra os delegados da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa de Araújo, Giniton Lages e Marco Antônio de Barros pelos crimes de associação criminosa e obstrução de Justiça. As acusações se referem a um suposto esquema para atrapalhar as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A denúncia foi apresentada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, e foi protocolada no Supremo Tribunal Federal. A denúncia se originou a partir de um desmembramento do caso que tramita no Supremo.

Segundo nota do MPF, os delegados atuaram para "garantir a impunidade de crimes de homicídio praticados por organizações criminosas, por meio de obstrução às investigações".

De acordo com o procurador, o grupo ocultou provas, incriminou terceiros sabidamente inocentes, utilizou testemunhos falsos, fez diligências inócuas e desapareceu com provas e "teria se aproveitado de um contexto de "mercantilização de homicídios existente no Estado".

O delegado Rivaldo Barbosa era chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro na época do crime. Os delegados Lages e Barros, por sua vez, atuaram na investigação do caso.

O vice-PGR pediu a condenação do trio por crimes de associação criminosa, obstrução de Justiça e a manutenção das medidas cautelares contra eles, além da perda do cargo público e a indenização por dano moral coletivo.

Outra ação penal

No fim do ano passado, o ministro do STF Flávio Dino marcou para os dias 24 e 25 de fevereiro o julgamento de cinco acusados de planejarem o assassinato de Marielle.

Este julgamento no STF é focado nos alvos que tramaram o assassinato. São réus na ação penal: o deputado federal cassado Chiquinho Brazão, o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Domingos Brazão, o policial militar Ronald Paulo Alves Pereira, o ex-assessor do TCE Robson Calixto da Fonseca e o delegado Rivaldo Barbosa.

Os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz fecharam acordos de delação premiada e confessaram serem os executores do crime: Lessa disparou os tiros, enquanto Queiroz dirigia o carro. Eles já foram julgados na Justiça do Rio de Janeiro e foram condenados a 78 anos e 59 anos de prisão, respectivamente.

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