Pinguim-imperador entra na lista de espécies ameaçadas de extinção

Publicado em 09/04/2026, às 19h31
Philip Trathan/IUCN
Philip Trathan/IUCN

Por Galileu

O pinguim-imperador foi classificado como espécie ameaçada de extinção pela IUCN, refletindo os impactos das mudanças climáticas sobre o gelo marinho da Antártida, essencial para sua reprodução e sobrevivência.

Estudos indicam uma queda de quase 10% na população global de pinguins-imperadores entre 2009 e 2018, com perdas ainda mais acentuadas em regiões específicas, como o Mar de Ross, onde a redução foi de cerca de 32% entre 2020 e 2024.

Além da reclassificação do pinguim-imperador, a IUCN também reportou declínios em outras espécies antárticas, como o lobo-marinho-antártico e o elefante-marinho-do-sul, evidenciando um efeito em cadeia das mudanças climáticas sobre o ecossistema da região.

Resumo gerado por IA

O pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri) passou a integrar a lista global de espécies ameaçadas de extinção, segundo atualização recente da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), anunciada em comunicado publicado nesta quinta-feira (9). A mudança reflete o avanço dos impactos das mudanças climáticas, especialmente sobre o gelo marinho da Antártida.

A reclassificação faz parte de um projeto de revisão da Lista Vermelha, considerada a principal referência mundial sobre o risco de extinção de espécies. Para os pesquisadores envolvidos na mudança, trata-se de um marco importante na compreensão dos efeitos do aquecimento global sobre a fauna polar.

Dependência crítica do gelo marinho

O declínio dos pinguins-imperadores está diretamente ligado à redução do gelo marinho, que atingiu níveis historicamente baixos nos últimos anos. Esse ambiente é essencial para a reprodução e para etapas críticas do ciclo de vida da espécie.

Um estudo publicado em 2024 na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences indica uma queda de quase 10% na população global desses animais entre 2009 e 2018. Em regiões específicas, como o Mar de Ross, a redução foi ainda mais acentuada, sendo estimada em cerca de 32% entre 2020 e 2024, aponta outra pesquisa publicada em março deste ano na mesma revista científica.

A gravidade do cenário preocupa especialistas. “Olhando mais para o futuro, vários estudos preveem uma quase extinção em muitas das colônias”, alerta Philip Trathan, ecologista marinho do British Antarctic Survey, no comunicado.

Para além de servir como plataforma de reprodução, o gelo marinho funciona como proteção durante a muda de penas — fase em que os pinguins perdem temporariamente sua impermeabilidade. Sem essa base, as aves ficam vulneráveis ao frio extremo e à exposição ao oceano.

Efeito em cadeia pelas mudanças climáticas

O impacto das transformações ambientais supera os pinguins. A mesma atualização da IUCN aponta declínios expressivos em outras espécies do ecossistema antártico, como o lobo-marinho-antártico (Arctocephalus gazella). Desde 2014, sua população caiu de cerca de dois milhões para menos de um milhão de indivíduos adultos.

Segundo especialistas ouvidos pelo jornal The New York Times, a principal causa para tal declínio é a alteração na distribuição do krill, um pequeno crustáceo fundamental na cadeia alimentar marinha. Com o aquecimento das águas, o krill migra para regiões mais profundas e frias, dificultando o acesso por predadores.

Outro sinal preocupante vem do elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina), agora classificadas como “vulnerável” na Lista Vermelha. Um surto de gripe aviária detectado a partir de 2023 provocou perdas significativas em suas populações.

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