Policial militar apontado como autor de disparo que matou Gabriel Lincoln é promovido

Publicado em 04/02/2026, às 14h57
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Por TNH1

O policial militar apontado como autor do disparo que matou o adolescente Gabriel Lincoln, em maio de 2025, durante uma abordagem em Palmeira dos Índios, foi promovido a 1º sargento da Polícia Militar de Alagoas. A promoção ocorreu enquanto o militar responde a processo criminal relacionado ao caso.

A investigação da Polícia Civil concluiu que Gabriel estava desarmado no momento da perseguição e que houve tentativa de forjar um cenário de legítima defesa, com a apresentação de um revólver como se fosse da vítima. O sargento foi indiciado por homicídio culposo e, junto com outros dois policiais, também responde por fraude processual especial.

Para o assistente de acusação, Gilmar Mendes, a promoção gerou “insatisfação” e “indignação”. Ele afirma que já solicitou providências à Justiça para que o Ministério Público cobre explicações da PMAL. O TNH1 procurou a Polícia Militar, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Resumo gerado por IA

O policial militar apontado como autor do disparo que matou o adolescente Gabriel Lincoln foi promovido a 1º sargento da Polícia Militar de Alagoas (PMAL). O caso ocorreu no dia 3 de maio de 2025, durante uma abordagem policial em Palmeira dos Índios.

Gabriel foi baleado pelas costas enquanto tentava escapar de policiais militares após uma ordem de parada. Segundo os agentes envolvidos, o adolescente teria desobedecido à ordem e atirado contra a guarnição. A investigação da Polícia Civil, no entanto, concluiu que o jovem estava desarmado no momento da perseguição e que os três policiais apresentaram um revólver como se fosse da vítima, numa tentativa de forjar um cenário de legítima defesa.

O sargento apontado como autor do disparo foi indiciado por homicídio culposo. O nome do militar não foi divulgado. Ele e os outros dois policiais também respondem por fraude processual especial, crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade.

Para o assistente de acusação, Gilmar Mendes, a notícia foi recebida com "insatisfação" e "indignação".

Segundo ele, já foi protocolado pedido para que o magistrado do caso oficie o Ministério Público, a fim de que o órgão solicite ao Comando-Geral da PMAL explicações sobre a promoção do militar.

Entendemos que a decisão é totalmente desarrazoada, no mínimo, pelo fato de promover um militar que responde por um grave crime de homicídio contra um menor de idade. Isso causa grande insatisfação, revolta e, sobretudo, uma sensação de impunidade perante toda a população que clama por justiça", afirmou à TV Pajuçara/RECORD.

Em outubro de 2025, a Justiça de Alagoas determinou o afastamento preventivo dos três militares envolvidos no caso. Embora já estivessem fora das ruas, eles continuavam exercendo funções administrativas. Com a decisão judicial, os policiais ficaram impedidos de desempenhar qualquer atividade na corporação até o fim do processo criminal.

Até o momento, não há informações sobre o que motivou a promoção do indiciado. O TNH1 procurou a Polícia Militar, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

A investigação

A Polícia Civil concluiu que Gabriel estava desarmado durante a perseguição e que houve tentativa de forjar a cena do crime. Os investigadores entenderam que o disparo ocorreu de forma acidental, o que motivou o indiciamento por homicídio culposo.

O Ministério Público de Alagoas, porém, discorda dessa conclusão. Para o órgão, o crime configura homicídio com dolo eventual, qualificado pelo recurso que impossibilitou a defesa da vítima. De acordo com a acusação, o sargento do Pelotão de Operações Policiais Especiais (Pelopes), ao sacar a arma e efetuar o disparo em direção ao adolescente, assumiu o risco de provocar o resultado morte.

O caso

Gabriel Lincoln estudava pela manhã e ajudava a família à noite, trabalhando na produção de pizzas. No dia do crime, após ser abordado pela polícia, o adolescente teria se assustado e acelerado a motocicleta, dando início à perseguição, que terminou quando um tiro atingiu suas costas.

Doze testemunhas apresentaram versões diferentes da relatada pelos policiais. Uma das principais provas que contradizem a versão oficial é um exame residuográfico, solicitado pela defesa da família. O laudo concluiu que “não foram encontrados resíduos determinantes de disparo de arma de fogo” nas mãos do adolescente.

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