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Polícia atira em homem negro pelas costas nos EUA e multidão protesta

Folhapress | 24/08/20 - 09h46 - Atualizado em 24/08/20 - 09h50
Reprodução

Uma multidão saiu às ruas para protestar na cidade de Kenosha, em Wisconsin, nos EUA, após a polícia disparar várias vezes no domingo (23) contra um homem negro pelas costas, a curta distância e enquanto ele subia em um veículo.

O homem, identificado como Jacob Blake pelo governador de Wisconsin, Tony Evers, foi levado a um hospital em Milwaukee e se encontrava em estado crítico, segundo a polícia.

"Esta noite, Jacob Blake recebeu múltiplos disparos nas costas, em plena luz do dia, em Kenosha, Wisconsin", tuitou Evers. "Apesar de ainda não termos todos os detalhes, sabemos com clareza que não é o primeiro homem ou pessoa negra a receber disparos ou feridas ou a ser assassinado sem piedade nas mãos de membros da força da ordem no nosso estado ou nosso país", continuou.

A polícia disse que o tiroteio ocorreu quando respondia a um incidente doméstico, perto das 17h11 locais.

Um vídeo gravado com um celular mostra como um homem negro é seguido por dois policiais com armas, enquanto tenta subir em uma caminhonete cinza.

Quando abre a porta e tentar chegar ao assento do motorista, um dos oficiais o pega pela camiseta e aparentemente dispara nele várias vezes pelas costas.

O advogado de direitos civis Ben Crump disse que os três filhos de Blake estavam na caminhonete quando tudo ocorreu e que o homem tinha tentado intervir em uma briga entre duas mulheres.
"Viram a polícia atirar em seu pai. Ficarão traumatizados para sempre", escreveu Crump no Twitter.

Crump representa a família de George Floyd, homem negro que morreu no dia 25 de maio assassinado por um policial branco, que o sufocou com seu joelho por quase 9 minutos.

Depois que anoiteceu em Kenosha, uma multidão de manifestantes enfrentou policiais, segundo imagens do jornal local Milwaukee Journal Sentinel. A cidade declarou toque de recolher noturno.

O departamento de Justiça de Wisconsin afirmou que sua divisão de investigação criminal está apurando o ocorrido.

"Os oficiais envolvidos estão em baixa administrativa", informou, em um comunicado nesta segunda-feira.