Polícia Federal proíbe gravações de 'Área Restrita' em aeroportos

Publicado em 31/01/2026, às 19h39
Divulgação/Vídeo
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Por Splash/UOL

A Polícia Federal suspendeu as gravações da oitava temporada de 'Aeroporto - Área Restrita', alegando que as filmagens não estão em conformidade com as normas de segurança das áreas restritas, gerando tensão entre a PF e a Receita Federal.

A produtora Moonshot afirma que a PF havia concedido previamente autorizações para as filmagens, que contavam com o apoio de diversas agências, mas a PF justifica a proibição com base em regulamentos da ANAC que proíbem a gravação em áreas sensíveis.

A Unafisco, associação dos auditores fiscais, sugere que a proibição é resultado de rivalidade institucional, enquanto a PF nega qualquer disputa, reafirmando sua responsabilidade pela segurança aeroportuária e a necessidade de seguir normas rigorosas.

Resumo gerado por IA

A Polícia Federal suspendeu as gravações da oitava temporada de "Aeroporto - Área Restrita" em todo o país. A instituição alega que as filmagens são incompatíveis com as normas das Áreas Restritas de Segurança. A decisão causou atrito entre a Polícia Federal e a Receita Federal.

O que aconteceu

A Moonshot, produtora da série, afirma que a Polícia Federal cassou as credenciais da equipe nos aeroportos de Viracopos, Galeão e Pinto Martins. A Polícia Federal também teria indeferido as credenciais da equipe nas áreas restritas do Aeroporto de Guarulhos.

A PF já teria concedido autorização para a realização das filmagens. Em nota, a produtora afirma que a temporada estava sendo gravada desde dezembro de 2025 com o "apoio e participação ativa" da Anvisa, Vigiagro, Ibama, Receita Federal, Polícia Militar do Estado de São Paulo, Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e das concessionárias Fraport e RIOgaleão.

A Polícia afirma que a proibição das gravações "decorre do estrito cumprimento de normas" da aviação civil. "As Áreas Restritas de Segurança são classificadas como zonas prioritárias de risco, sujeitas a rigorosos controles de acesso, limitados exclusivamente a pessoas com necessidade operacional ou funcional, não se enquadrando atividades de entretenimento ou produção audiovisual nesse critério", diz comunicado.

A instituição afirma ainda que as gravações da série violam normas da Agência Nacional de Aviação Civil, a ANAC. "A regulamentação vigente [...] veda expressamente o registro de imagens de procedimentos, fluxos e infraestrutura sensíveis relacionados à segurança da aviação civil", diz a nota. A Polícia diz ainda que não participa do programa e indefere "reiterada e consistentemente" pedidos desse tipo.

Essas decisões refletem o entendimento consolidado de que a presença permanente de equipes de filmagem em áreas operacionais restritas é incompatível com os princípios da preservação da intimidade, da imagem e da presunção de inocência dos cidadãos abordados, bem como com a necessidade de resguardar técnicas, rotinas e meios empregados na repressão a ilícitos penais, especialmente em ambiente aeroportuário.

A Moonshot diz que a alegação de "risco aeroportuário" não condiz com as aprovações de credenciais ao longo dos últimos anos. "Ao longo de sete temporadas consecutivas, produzidas desde 2016, a Polícia Federal analisou e aprovou as credenciais de todos os profissionais envolvidos na produção do programa 'Aeroporto: Área Restrita', permitindo a realização integral das filmagens sem que tenha sido registrado qualquer incidente ou comprometimento da segurança aeroportuária", afirma a produtora.

Pesquisa recente revela o perfil educativo, informativo e de interesse público da produção: O programa é um instrumento eficaz de educação, alinhado ao dever estatal de informação e transparência. Esperamos que esta situação seja revertida em breve e que o público possa finalmente continuar acompanhando o tão querido e educativo programa Aeroporto: Área Restrita.

Atrito entre Polícia Federal e Receita Federal

O presidente Associação dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) atribuiu a proibição a uma "ciumeira" entre as instituições. "Esse programa tem despertado um ciúme institucional horroroso por parte da Polícia Federal. [O programa] dá muito mais ênfase à área de bagagem, onde trabalha a Receita Federal. Mostra outros órgãos, os protagonistas são o pessoal da Receita", disse Kleber Cabral, afirmando também que a Operação Carbono Oculto também teria provocado uma rusga entre as instituições.

Ele diz que, segundo relatos, policiais federais teriam instalado um "clima horroroso" no Galeão ao impedir as gravações. Segundo o presidente da Unafisco, eles teriam andado armados na área de passageiros de forma ameaçadora.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que "não há qualquer disputa institucional no episódio" e diz que as competências da Receita são "reconhecidas e respeitadas". "Tais atribuições não se confundem com a responsabilidade constitucional da Polícia Federal pela supervisão da segurança aeroportuária, que prevalece em Áreas Restritas de Segurança, inclusive em recintos alfandegados, conforme previsto no ordenamento jurídico."

Narrativas que tentam reduzir o tema a supostos conflitos institucionais desconsideram a gravidade das responsabilidades envolvidas e ignoram que a segurança da aviação civil constitui valor jurídico prioritário, amplamente regulado por normas nacionais e compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro.
Polícia Federal, em nota sobre 'Aeroporto - Área Restrita'

O Splash procurou a RIOgaleão e a Receita Federal, caso as instituições desejem se manifestar sobre o assunto. Assim que houver retorno, a nota será atualizada.

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