Dois policiais civis do Espírito Santo foram presos sob suspeita de desviar drogas apreendidas em operações contra facções, com outros três agentes afastados. As investigações revelam que parte das drogas não era registrada e era repassada a organizações criminosas em troca de propina.
As investigações começaram após a prisão de um líder do tráfico em fevereiro de 2024, e o Ministério Público identificou indícios de colaboração ilícita entre policiais e criminosos. Além disso, a Promotoria já havia denunciado policiais militares envolvidos em esquemas semelhantes de desvio e revenda de drogas.
A Polícia Civil solicitou acesso ao depoimento de um policial que fez acusações graves e acionou a Corregedoria para investigar as ações do agente. A Polícia Militar, por sua vez, informou que 14 de seus agentes estão presos preventivamente e reafirmou seu compromisso em apurar todas as denúncias de condutas irregulares.
Dois policiais civis do Espírito Santo estão presos sob suspeita de desviar drogas apreendidas em operações contra facções. Outros três agentes são investigados e foram afastados das funções.
LEIA TAMBÉM
Segundo as investigações, os policiais deixavam de registrar nos boletins de ocorrência parte da droga apreendida e a repassavam, mediante propina, à própria organização criminosa alvo da operação.
O caso, que tramita sob sigilo, foi revelado no domingo (29) pelo programa Fantástico, da TV Globo.
Os policiais detidos são do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc). Um deles é Eduardo Tadeu, preso em novembro do ano passado na primeira fase da Operação Turquia, realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil. A defesa dele disse à reportagem que não se manifestaria.
Em depoimento exibido na reportagem, um policial civil não identificado afirmou que Eduardo Tadeu seria o maior traficante do Espírito Santo.
O delegado-geral da Polícia Civil do estado, José Darcy Arruda, afirmou em rede social que a corporação solicitou à Promotoria acesso ao depoimento. Disse ainda que acionou a Corregedoria para apurar quais providências foram adotadas pelo policial que prestou o depoimento ao tomar conhecimento das supostas irregularidades.
O outro policial detido é Erildo Rosa. Ele havia sido afastado na operação de novembro e foi preso na segunda fase, deflagrada em 18 de março deste ano.
A defesa afirmou ao Fantástico que aguarda acesso à íntegra do inquérito e que não há evidências de participação do agente em organização criminosa. A reportagem da Folha de S.Paulo não conseguiu contato direto com a defesa nesta segunda-feira.
As investigações começaram a partir da prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico na região da Ilha do Príncipe, em Vitória, em fevereiro de 2024.
O Ministério Público afirma ter identificado "indícios consistentes" de vínculo entre o investigado e servidores públicos, com possível cooperação ilícita em diligências policiais. A Promotoria também denunciou, no ano passado, policiais militares suspeitos de participar de um esquema de desvio e revenda de drogas apreendidas, com pagamento de propina por facções criminosas, além de lavagem de dinheiro e agiotagem.
Eles foram investigados na Operação Argos, que apurou a atuação de uma organização criminosa que, de 2021 a 2025, transformou a atividade policial em fonte de renda ilícita. A denúncia foi aceita pela Justiça Militar.
Procurada, a Polícia Militar informou que 14 agentes cumprem prisão preventiva no Presídio Militar do Quartel do Comando-Geral, em Vitória.
"A Polícia Militar do Espírito Santo não coaduna com condutas ilícitas de seus integrantes e irregulares de qualquer que seja o policial militar, e que todas as denúncias referentes aos profissionais da corporação são efetivamente apuradas", disse a corporação, em nota.
LEIA MAIS
+Lidas