Poluição do ar é associada a mais de 13% das mortes por câncer de pulmão, diz estudo

Publicado em 21/02/2026, às 16h07
Imagem Poluição do ar é associada a mais de 13% das mortes por câncer de pulmão, diz estudo

Por Ascom Ufal

Um estudo revela que mais de 13% das mortes por câncer de pulmão nas capitais brasileiras estão ligadas à poluição do ar, com 9.631 óbitos atribuídos ao poluente PM2.5 entre 2014 e 2023. A pesquisa destaca a necessidade urgente de abordar a qualidade do ar nas áreas urbanas do país.

Praticamente todas as capitais apresentaram níveis de PM2.5 acima do recomendado pela OMS, com 97,41% das médias anuais excedendo os limites seguros. As cidades do Sudeste e Sul foram as mais afetadas, refletindo uma exposição crônica da população a poluentes nocivos.

Em Maceió, foram estimadas 28 mortes por câncer de pulmão associadas à poluição, representando quase 3% do total na cidade. O estudo enfatiza a importância de integrar saúde ambiental na formação médica, posicionando a Ufal como um centro relevante em pesquisa e discussão sobre políticas de saúde pública.

Resumo gerado por IA

Um estudo científico de autoria de Albery Batista de Almeida Neto, estudante do curso de Medicina da Ufal e orientado pelo professor Flavio Manoel Rodrigues da Silva Júnior (ICBS), foi recém-publicado na revista internacional Atmosphere e traz um alerta contundente: mais de 13% das mortes por câncer de pulmão nas capitais brasileiras estão associadas à poluição do ar.

O trabalho analisou dados de poluição do ar e mortalidade por câncer de pulmão ao longo de uma década (2014–2023) nas 27 capitais das unidades federativas do país para estimar a mortalidade por câncer de pulmão relacionada ao PM2.5, um poluente microscópico do ar, capaz de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. A pesquisa utilizou uma metodologia desenvolvida pela OMS para estimar o número de mortes atribuíveis à exposição prolongada à poluição do ar.

Os resultados mostraram que praticamente todas as capitais brasileiras apresentaram níveis médios de PM2.5 acima do recomendado pela OMS, com destaque para cidades das regiões Sudeste e Sul. No estudo, 97,41% das médias anuais de PM2.5 ultrapassaram o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e quase um terço das medições excedeu o padrão brasileiro vigente, evidenciando uma exposição crônica da população urbana a níveis prejudiciais de poluição. Ao todo, o estudo aponta que 9.631 mortes por câncer de pulmão no período analisado estão diretamente relacionadas à poluição do ar.

Em Maceió, os pesquisadores estimam que 28 mortes por câncer de pulmão na última década foram associadas à poluição do ar, representando quase 3% de todas as mortes pela doença, na capital alagoana. “As taxas em Maceió e nas outras capitais do Nordeste são menores que a média nacional e refletem os menores níveis de poluição na região quando se compara às demais regiões do país”, salientou o professor Flavio Rodrigues.

Formação médica alinhada aos desafios contemporâneos

Para os autores, o estudo reforça a importância de integrar saúde ambiental e formação médica, preparando futuros profissionais para compreender os determinantes ambientais das doenças.

“Ter um estudante de Medicina como primeiro autor de um estudo dessa magnitude mostra que a Ufal está formando profissionais capazes de dialogar com os grandes desafios globais da saúde”, destacou Flavio, líder do estudo. Além desses dois cientistas, a pesquisa teve colaboração do professor Glauber Mariano do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal (Icat), e de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

“A publicação internacional consolida a Ufal como um polo emergente em pesquisa em saúde ambiental e como protagonista na discussão sobre políticas públicas de prevenção ao câncer e controle da poluição do ar”, reforçou Rodrigues.

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