Pesquisadores portugueses confirmaram os primeiros casos de infecção pelo fungo Candida auris em Portugal, um microrganismo resistente a medicamentos que representa uma ameaça à saúde pública, com oito casos registrados em um hospital no Norte do país em 2023.
O fungo, que se espalha facilmente em ambientes hospitalares e é resistente a antifúngicos, já está presente em cerca de 60 países, com um aumento significativo de casos na Europa, onde mais de 4 mil foram registrados entre 2013 e 2023.
Medidas de controle, como vigilância rigorosa e higiene adequada, são essenciais para conter a propagação do fungo, enquanto pesquisadores buscam entender melhor sua resistência e desenvolver alternativas terapêuticas eficazes para enfrentar essa ameaça crescente à saúde global.
Pesquisadores portugueses identificaram os primeiros casos confirmados de infecção pelo fungo Candida auris em Portugal, microrganismo resistente a medicamentos e considerado uma ameaça emergente à saúde pública mundial. O estudo, liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), analisou oito casos registrados em 2023 em um hospital da região Norte e reforça a necessidade de vigilância hospitalar rigorosa.
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Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Journal of Fungi, em outubro de 2025. Em comunicado enviado à SIC Notícias, a FMUP destaca que, embora três pacientes com infecção invasiva tenham evoluído para óbito, “nenhuma das três mortes esteve exclusivamente associada à infecção, mas sim a comorbidades severas dos doentes”.
A coordenadora do estudo, a professora Sofia Costa de Oliveira, ressalta a importância da integração entre universidades, centros de pesquisa e hospitais.
“É fundamental que as instituições dedicadas ao ensino e à investigação se articulem com os hospitais e Unidades Locais de Saúde, no sentido de uma investigação translacional integrada, de modo a reforçar a capacidade de resposta a desafios emergentes em saúde pública com base em evidência”, afirma.
Segundo a pesquisadora, o Candida auris é um fungo de transmissão hospitalar, não comunitária, cuja relevância está ligada à facilidade de disseminação em unidades de saúde e à resistência a alguns antifúngicos.
“A sua relevância em saúde pública está associada principalmente à facilidade de transmissão em unidades de cuidados de saúde e à resistência a alguns antifúngicos, o que justifica uma vigilância reforçada”, diz.
A detecção precoce é apontada como essencial para conter surtos. “A detecção precoce de colonização ou infecção em doentes em risco permite uma intervenção mais eficaz e limita a propagação nos serviços de saúde. As medidas de controle de infecção, como a higiene rigorosa das mãos, a desinfecção de superfícies e equipamentos e a vigilância laboratorial, são cruciais para reduzir a transmissão”, conclui Sofia Costa de Oliveira.
A Candida auris é uma levedura capaz de colonizar a pele e causar infecções invasivas, sobretudo em pacientes com doenças graves, submetidos a procedimentos invasivos ou ao uso de antibióticos e imunossupressores. O fungo não é transmitido pelo ar, mas por contato direto entre pacientes, profissionais de saúde ou por superfícies e equipamentos contaminados. Sua capacidade de resistir a múltiplos antifúngicos e de persistir no ambiente hospitalar dificulta o controle.
Atualmente, o microrganismo está presente em cerca de 60 países, em vários continentes. Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) alertou para a rápida propagação do fungo em hospitais europeus. De acordo com o órgão, entre 2013 e 2023 foram registrados mais de 4 mil casos na União Europeia e no Espaço Econômico Europeu, com “um salto significativo” em 2023, quando 1.346 casos foram notificados em 18 países.
Para os pesquisadores, o desafio agora é avançar no entendimento da resistência do fungo. “A caracterização dos mecanismos envolvidos na resistência à terapêutica antifúngica é fundamental para investigar alternativas farmacológicas mais eficazes. O próximo passo será explorar o impacto real das novas mutações detectadas na progressão da infecção e na resistência antimicrobiana da Candida auris, de forma a tentar controlar esta ameaça global para a saúde”, defende a professora.
O trabalho contou ainda com a participação de pesquisadores da FMUP, da Universidade do Porto, da ULS São João e de outros centros de investigação, reforçando o alerta para a necessidade de resposta coordenada diante de uma ameaça crescente nos sistemas de saúde.
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