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Presa amante da viúva do dono de cartório morto com mãos algemadas

Metrópoles | 06/01/22 - 15h56 - Atualizado em 06/01/22 - 16h00
Reprodução

A Polícia Civil de Goiás prendeu, na capital goiana, a mulher apontada como amante da viúva do dono de cartório sequestrado e morto com 17 tiros e mãos algemadas para trás. O crime ocorreu há nove dias, em um canavial de Rubiataba, distante 210 km da capital, na região central do estado. Ela foi a quinta pessoa presa por suspeita de envolvimento no assassinato. A informação da prisão foi confirmada ao Metrópoles pelas defesas das duas mulheres.

A comerciante Ana Claudia da Silva Rosa, de 33 anos, foi presa temporariamente na terça-feira (4/1), no momento em que foi prestar depoimento na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH). Segundo o inquérito, ela mantinha relacionamento extraconjugal com Alyssa Martins de Carvalho, de 32, de quem teria sido cúmplice no assassinato do dono de cartório Luiz Fernando Alves Chaves, de 40 anos.

O dono do cartório, de acordo com a investigação, foi morto a mando da então esposa, que está presa desde 29 de dezembro, um dia depois do crime e horas depois de o corpo dele ter sido encontrado, durante a madrugada, em um canavial na zona rural de Rubiataba. Outros três suspeitos estão presos. Um está foragido.

“Ameaças” - O advogado Roberto Rodrigues, que representa Ana Claudia, disse ao Metrópoles que deve pedir ao Judiciário, ainda nesta quinta-feira, a revogação da prisão de sua cliente. Segundo ele, depois do crime, ela foi para Goiânia por sofrer supostas ameaças. Ela se candidatou a vereadora de Rubiataba pelo PL, em 2020, mas recebeu apenas 11 votos e não foi eleita.

“Estou estudando o caso ainda. Ontem [quarta-feira] conversei com ela e hoje devo pedir a revogação da prisão. Ela estava morando em Rubiataba, cidade pequena, e se sentiu pressionada, porque houve ameaças”, afirmou ele. A advogada Fabiana dos Santos Alves Castro, que representa a viúva, também confirmou ao portal que Ana Claudia foi presa, mas disse que ainda não irá se manifestar sobre as suspeitas contra a sua cliente.

Relação aberta - Em interrogatório, a viúva, que trabalhava como escrevente de cartório substituta, disse que ela tinha relação aberta com Luiz Fernando, com quem se casou há oito anos. Os dois tem três filhos: um casal de gêmeos, de 5, e uma caçula, de 3. As crianças estão sob a guarda dos avós paternos, por determinação da Justiça de Goiás, depois de a mulher ser presa e investigada como suposta mandante do crime.

Filha de pastor, Alyssa contou à polícia que ela e o dono do cartório começaram a se relacionar em janeiro de 2012. Em julho do ano seguinte, de acordo com o inquérito, os dois se casaram. Na época, segundo informações repassadas pela escrevente durante o interrogatório, Luiz Fernando era advogado e tinha “boa condição financeira”.

De acordo com o inquérito, Alyssa disse que, até então, o relacionamento dela com o cartorário estava “normal”. Ela também confirmou que “ambos mantinham relacionamentos extraconjugais”, em comum acordo, já que, conforme acrescentou, “esse fato era de conhecimento dos dois”.

A viúva também contou que o casal tinha relações extraconjugais homoafetivas. No interrogatório, ela disse que soube de caso extraconjugal de seu então esposo quando ela estava grávida da filha caçula. Depois, segundo ela, os dois fizeram acordo para ter relação aberta e, conforme acrescentou, ela chegou a fazer sexo com a amante na frente do esposo, por vontade própria dele.

Presos - Veja a lista de pessoas presas pelo crime praticado contra o dono do cartório.

  • Alyssa Martins de Carvalho, de 32 anos: viúva do dono do cartório, é investigada por ser a mandante do crime. Tem três filhos com Luiz Fernando, com quem se casou em 22 de julho de 2013. Ela trabalhava no cartório como escrevente substituta. A família vivia em Rubiataba.
  • Ana Claudia Silva Rosa, 33 anos: comerciante e apontada como amante de Alyssa, com quem teria planejado o crime contra o dono do cartório.
  • André Luiz Silva, de 30 anos: dono de garagens de veículos em Anápolis e Campo Limpo de Goiás, onde mora há sete meses, é agiota e investigado por recrutar comparsas para roubar a camionete Toyota SW-4 branca do dono do cartório e matá-lo.
  • Edvan Batista Pereira, de 23 anos: ligado a criminosos do PCC em Goiás, é investigado por ser autor dos 17 disparos contra o cartorário. Ele, que mora em Pirenópolis (GO), disse à polícia que conheceu André no presídio de Anápolis e que aceitou a proposta dele para quitar uma dívida de R$ 2,5 mil, além de receber mais R$ 2,5 mil. Outros R$ 5 mil deveriam ser repassados a outro comparsa.
  • Laurindo Lucas Gouveia dos Santos, de 21 anos: também é morador de Pirenópolis (GO) e disse à polícia que se envolveu no crime após receber mensagens por WhatsApp e ligação de Edvan para levá-lo de carro até Rubiataba e deixá-lo na cidade. No entanto, afirmou que, no percurso foi surpreendido pela informação de que teria de participar do roubo e do assassinato.

“Chefe” - A equipe de investigação ainda procura Luzimar Francisco Neves, que é citado pelos presos como “Chefe” e investigado por supostamente iniciar a rede de contatos da associação criminosa, a mando da viúva. Ele tem mandado de prisão temporária em aberto.