PRF que matou ex-namorada no ES respondia por importunação sexual a colega

Publicado em 24/03/2026, às 13h46
O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa - Reprodução
O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa - Reprodução

Por Jennifer Mendonça / Folhapress

Um policial rodoviário federal matou sua ex-namorada, a guarda municipal Dayse Barbosa Matos, em Vitória, após não aceitar o término do relacionamento, e em seguida cometeu suicídio. O caso é investigado como feminicídio e ocorre em meio a um processo disciplinar contra ele por tentativa de estupro de uma colega de trabalho.

Diego Oliveira de Sousa, 38 anos, já enfrentava uma investigação na PRF por assédio sexual, onde foi acusado de tentar estuprar uma colega durante um patrulhamento. A vítima relatou que ele a encurralou e fez investidas agressivas, mas conseguiu se defender e denunciar o caso à corregedoria da corporação.

Após o assassinato, a PRF confirmou que estava em fase final de apuração do processo disciplinar contra Diego, que poderia resultar em demissão. A corporação também destacou a criação de comissões para combater a violência de gênero e a implementação de um plano de acolhimento para vítimas de assédio e discriminação.

Resumo gerado por IA

O policial rodoviário federal que matou a ex-namorada no Espírito Santo e depois se suicidou já respondia a um processo disciplinar por tentativa de estupro contra uma colega de trabalho na corporação.

Diego Oliveira de Sousa, 38, era alvo de uma investigação na corregedoria da PRF por tentativa de estupro a uma colega. O agente assassinou a sua ex-namorada, a guarda municipal Dayse Barbosa Matos, ontem, em Vitória, por não aceitar o fim de relacionamento.
A tentativa de estupro ocorreu durante um patrulhamento em Campos dos Goytacazes (RJ).

A vítima relatou que Diego pediu para estender a ronda até uma base operacional a 50 quilômetros do posto em que trabalhavam.

O policial teria assediado a colega dentro da viatura e na base da corporação. A mulher afirmou que ele tentou segurar sua mão no trajeto e, ao chegarem à unidade para usar o banheiro, a encurralou.

A vítima sofreu investidas agressivas e toques sem consentimento. Segundo o depoimento, Diego disse que ela estava "muito cheirosa", tentou beijá-la, passou a mão em seu corpo e tentou tirar a roupa dela à força.

A policial ameaçou usar a chave da viatura para se defender do ataque. "Eu falei: 'Diego, eu vou precisar furar você para você parar?'. Isso é estupro! Eu vou gritar aqui", contou a vítima, momento em que o agressor recuou.

INVESTIGAÇÃO NA CORPORAÇÃO

A corregedoria da PRF abriu um processo administrativo após a denúncia. A reportagem do UOL teve acesso a parte das investigações. O órgão apontou indícios de conduta escandalosa e afronta grave à moralidade, com violação da liberdade sexual da servidora.
A vítima pediu socorro ao chefe por mensagem na volta ao posto, mas não obteve resposta.

Ela deixou a corporação meses depois do episódio. Conforme explicou a PRF, a policial foi aprovada em concurso público de outra instituição.

Em nota enviada ao UOL, a PRF confirma o procedimento investigativo e diz que foi instaurado em 2025 "assim que tomou conhecimento sobre a denúncia". "A instituição adotou medidas administrativas para manter o distanciamento entre os dois agentes no ambiente de trabalho. A apuração, que poderia resultar na demissão do servidor, está em fase final de conclusão."

Corporação diz ter protocolos internos e planos contra o assédio e discriminação. Segundo a PRF, em 2023 foram criadas as Comissões Regionais e a Comissão Nacional de equidade de Gênero, que têm como um dos objetivos combater a violência de gênero na instituição. Além disso, desde 2025 possui um Plano setorial de Combate ao assédio e a discriminação, que prevê um palno de acolhimento e atendimento imediato pela área da saúde: "a vítima tem a opção de registrar denúncia no fala.br, da Controladoria-Geral da União (CGU), e na Corregedoria-Geral da PRF."

POLICIAL MATOU A EX POR NÃO ACEITAR FIM DO RELACIONAMENTO

Diego matou a guarda municipal Dayse Barbosa Matos ontem, em Vitória. Ela foi baleada cinco vezes na cabeça e morreu no local. O delegado chefe do DHPP (Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa), Fabrício Dutra, tudo indica que o caso se trate de um feminicídio.

Diego Oliveira de Souza não aceitava o fim relacionamento. De acordo com as primeiras informações, a comandante da Guarda Municipal havia encerrado o relacionamento com o policial recentemente. A delegada Raffaella Aguiar afirmou que ele agia de forma controladora e que após a morte de Dayse a polícia recebeu relatos sobre o comportamento abusivo do PRF na relação.

"As primeiras informações são de que ele não aceitava o fim do relacionamento. Não tinha nada formalizado. Agora, depois que aconteceu o crime, começaram as pessoas a comentar que ele era ciumento, possessivo, extremamente controlador. É importante para que outras mulheres percebam que a violência não começa naquele momento do disparo que ceifou a vida dela. A violência começa naquele primeiro controle", disse Raffaella Aguiar, delegada.

EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 -Central de Atendimento à Mulher- e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

COMO DENUNCIAR CASOS DE VIOLÊNCIA

Não tolere violência, saiba como procurar ajuda. O Ligue 190 é o número de emergência indicado para quem estiver presenciando uma situação de agressão. A Polícia Militar poderá agir imediatamente e levar o agressor a uma delegacia.

Também é possível pedir ajuda e se informar pelo número 180, do governo federal, criado para mulheres que estão passando por situações de violência. A Central de Atendimento à Mulher funciona em todo o país e também no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita.

O Ligue 180 recebe denúncias, dá orientação de especialistas e encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. Também é possível acionar esse serviço pelo WhatsApp. Nesse caso, acesse o (61) 99656-5008.

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