Alagoas

Professor da Ufal afasta risco de tsunami atingir litoral alagoano e compara notícia a trotes

Eberth Lins | 17/09/21 - 12h58 - Atualizado em 17/09/21 - 13h32
O vulcão Cumbre Vieja está localizado nas ilhas Canárias, na costa do continente africano | Foto: Nasa

A falácia de que o litoral brasileiro pode ser atingido por um tsunami causado pela possível erupção do vulcão Cumbre Vieja, nas ilhas Canárias, na costa do continente africano, ganhou força nas redes sociais e se tornou um dos assuntos mais falados do momento. Há quem faça piada do assunto, mas há também quem manifeste preocupação pela possibilidade de um desastre natural. Mas afinal, há risco de tsunami, e o litoral alagoano pode ser atingido?

Nesta sexta-feira (17), o TNH1 conversou com o professor Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que atribui o burburinho à falta de rigor no trato com a informação. Para simplificar o entendimento, ele comparou a situação a um trote em um serviço de emergência. De acordo com o professor, é irresponsável a forma como o dado foi noticiado na imprensa brasileira.

"De longe beira como está sendo tratado na imprensa europeia. Para se ter ideia, lá que é muito mais próximo do vulcão e, se fosse o caso, haveria motivos para se preocupar, não há essa preocupação. É como se alguém tivesse acionado a emergência no 192, mobilizado toda a equipe e quando ela chega ao local não há nenhum caso de gravidade", detalhou.

Professor Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Ufal. Foto: Ascom Ufal 

O professor explicou que para que haja a formação de um tsunami - série de ondas causada pelo deslocamento de um grande volume de água no oceano - é preciso acontecer outros fenômenos. "O vulcão está sendo monitorado, há um alerta amarelo de nível 3. Para que aconteça uma erupção está ainda muito distante. E para que isso gere um tsunami precisaria extrapolar muitas outras possibilidades, a exemplo do colapso da área onde o vulcão está inserido e, depois disso, jogar todo esse material no oceano que geraria uma onda", esclareceu o professor, acrescentando que a última vez que houve uma erupção no local foi em 1755.

A possibilidade de um tsunami foi noticiada, nessa quarta-feira (15), após o governo espanhol emitir um alerta amarelo de risco de erupção no vulcão Cumbre Vieja que teria registrado alguns abalos sísmicos. O vulcão, embora adormecido, é ativo e monitorado pelo Instituto Geográfico Nacional (IGN) da Espanha, que também ressaltou que todos os sistemas vulcânicos produzem esse tipo de fenômeno, mas a minoria termina em erupções.