Professor que comparou aluno a chimpanzé em escola de Maceió é indiciado por injúria racial

Publicado em 18/03/2026, às 12h40
Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que o professor aponta para o aluno durante conversa sobre a capa do caderno - Foto: Reprodução
Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que o professor aponta para o aluno durante conversa sobre a capa do caderno - Foto: Reprodução

por Eberth Lins

Publicado em 18/03/2026, às 12h40

Um professor de Maceió foi indiciado por injúria racial após associar um aluno negro a um chimpanzé durante uma aula, gerando repercussão negativa e trauma na vítima.

A investigação, que foi rápida e baseada em imagens de segurança, revelou que o ato foi realizado em um contexto de 'brincadeira', o que agrava a situação legal do docente.

O professor, que nega as acusações e alega problemas de audição, foi demitido por justa causa após a denúncia, enquanto a pena para o crime pode variar de dois a cinco anos de reclusão.

Resumo gerado por IA

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava um professor de uma escola particular no bairro Benedito Bentes, em Maceió, por injúria racial. O docente está sendo indiciado por injúria racial após supostamente associar um aluno negro à imagem de um chimpanzé que estampava a capa do caderno de outro estudante. 

"Foi uma investigação rápida, até porque foi uma investigação compartilhada. Os adultos e a vítima foram ouvidos na delegacia de vulneráveis e os adolescentes, as testemunhas de fato, foram ouvidos na delegacia do adolescente infrator", disse a delegada Rebeca Cordeiro, responsável pelo caso.

O caso foi registrado por uma câmera de segurança e as imagens foram amplamente compartilhadas em grupos de conversas. 

"As imagens são a prova material inabalável. Apesar de não haver áudio, toda a cena mostra a ação do jovem, do professor e o constrangimento da vítima, que é visível. Tudo isso são provas extremamente contundentes", acrescentou Rebeca Cordeiro. 

Conforme a delegada, o caso envolve o agravante de prática com intuito de recreação. "Para a lei, a brincadeira qualifica o crime. Se é diversão e nem todos riem, não é diversão. Não se faz brincadeira ofendendo ninguém", pontuou. 

"O professor tinha a obrigação de parar a brincadeira. Dar até uma lição de moral, se fosse o caso. Ao invés disso, ele resolveu apontar para um aluno, gerando um trauma muito difícil de superar", complementou a delegada. 

A pena prevista varia de dois a cinco anos de reclusão, com aumento de um terço devido ao racismo praticado como recreação.

"Como a gente vive numa sociedade racista, a gente precisa ser muito cuidadoso com nossos atos e ações. Vem de uma bagagem cultural extremamente triste determinadas colocações e brincadeiras. Ah, mas é brincadeira, brincadeira pra quem?", alertou a autoridade policial.

O vídeo que fundamenta a investigação mostra o professor cometendo a injúria racial. Nele, sem áudio, é possível ver um estudante mostrando a capa do caderno com um chimpanzé e perguntando ao docente com quem o animal se parecia. O professor logo aponta para um aluno negro de 13 anos, sugerindo a semelhança. Segundo o relato da vítima à polícia, o professor teria dito “parece com esse aqui”; assista ao video:

"Cotidiano da sala de aula
No último dia 11, o professor foi ouvido pela delegada e negou ter praticado injúria racial. Na oportunidade, ele alegou que não ouviu do que se tratava a insinuação por ter problemas de audição.
No mesmo dia, o advogado de defesa do professor, Eduardo Vasconcelos, disse que foi apenas um dia de rotina de sala de aula.
"Não houve a intenção, não houve o que a gente chama de dolo específico de judiar. Foi o cotidiano de uma sala de aula, que um aluno traz uma imagem de um gorila, não tinha nada com ele [estudante vítima].  Ele [o professor] aponta aleatoriamente para a turma e um dos alunos se sentiu ofendido, o que gerou toda essa polêmica", frisou o advogado.
Após o caso ter sido denunciado e exposto, o professor foi demitido por justa causa.

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