Maria Clara, de apenas 4 anos, apresentou sinais de puberdade precoce, como brotos mamários e pelos pubianos, levando sua mãe a buscar ajuda médica e resultando no diagnóstico de puberdade precoce, que pode ter consequências emocionais e físicas significativas.
Os exames realizados indicaram alterações hormonais, e a condição foi classificada como puberdade precoce central, onde o hipotálamo estimula a produção de hormônios sexuais, podendo ser influenciada por fatores genéticos e ambientais, como o uso de hormônios por adultos próximos.
Maria Clara iniciou tratamento com injeções mensais para bloquear a puberdade, e atualmente, aos seis anos, apresenta progresso positivo em sua saúde e desenvolvimento, enquanto sua mãe alerta sobre a importância de reconhecer sinais precoces e agir rapidamente para garantir a eficácia do tratamento.
Com apenas 4 anos, a pequena Maria Clara já apresentava sinais precoces da puberdade. O surgimento do broto mamário e de pelos pubianos foi o achado inicial que chamaram a atenção de sua mãe, a jornalista e empresária Vanessa Endringer, de 46 anos, que mora em Vila Velha (ES).
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“Eu sempre a colocava para dormir no meu colo e fazia carinho na barriga e no rosto. Até que, um dia, ao passar a mão por cima do pijama, senti um pequeno carocinho. Aquilo me chamou atenção”, disse a mãe em entrevista à CRESCER.
Preocupada, ela levou a filha a uma especialista e, então, a pequena iniciou uma jornada até chegar ao diagnóstico de puberdade precoce — quando sinais de puberdade ocorrem antes dos 8 anos em meninas e 9 anos nos meninos.
Um dos primeiros exames foi o de raio X de mãos e punhos para avaliar a idade óssea da pequena. Na sequência, foram realizados ultrassom de abdômen para observar útero e ovários, exames de sangue para dosagem hormonal e até mesmo ressonância magnética — exame realizado em crianças com puberdade muito precoce para avaliar se há patologias cerebrais relacionadas ao desencadeamento do quadro.
Ao receber os resultados, Vanessa foi informada de que os exames hormonais da filha estavam alterados, principalmente o de LH e FSH — um dos indícios de puberdade precoce, que pode ser dividida em dois tipos principais:
Puberdade precoce central: conhecida como a forma mais comum, ela ocorre quando o relógio biológico do cérebro faz com que o hipotálamo — órgão do sistema nervoso central — estimule a produção dos hormônios LH e FSH. Eles atuam nas gônadas (testículos nos meninos e ovários nas meninas), promovendo a produção de esteroides sexuais (testosterona nos meninos e estrógenos nas meninas).
Os esteroides são responsáveis por características sexuais secundárias, como aumento do volume do testículo e desenvolvimento da mama.
Puberdade precoce periférica: nesse caso, tumores em glândulas podem modificar a produção hormonal, assim como os chamados desreguladores endócrinos. Essas substâncias de origem externa, ao entrarem em contato com o corpo, bloqueiam ou estimulam os hormônios.
O tratamento
Diante dos resultados dos exames, Maria Clara iniciou imediatamente o tratamento para puberdade precoce central. “Não podíamos mais esperar, pois havia o risco de ela menstruar muito cedo, antes dos 7 anos”, a mãe relatou.
A pequena foi acompanhada pela endocrinologista pediátrica Christina Hegner, do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (UFES). Segundo a médica, o caso foi um desafio, especialmente pela idade da paciente.
A especialista explica que o tratamento da puberdade precoce, em geral, é feito por meio do bloqueio hipofisário. “Essas medicações vão bloquear a produção de LH e, consequentemente, a produção de estradiol nos ovários e de testosterona nos testículos”.
No caso de Maria Clara, o bloqueio foi iniciado cerca de um ano após o primeiro sinal de puberdade precoce, que foi o surgimento do broto mamário. “Começamos com injeções mensais, aplicadas por três meses. Depois, passamos para a injeção trimestral, que fizemos duas vezes. Em seguida, optamos pela injeção semestral, que bloqueia a puberdade por seis meses. Ela é mais dolorida, mas como o intervalo é maior entre as aplicações, achamos que seria melhor para ela”.
Enfrentar cada uma das picadinhas não foi fácil, mas a garotinha foi extremamente corajosa. “Ela tem um nível de entendimento acima da média. Nunca chorou para tirar sangue. Nós sempre ajudamos muito, explicando cada etapa do processo, sendo honestos sobre o desconforto, mas também deixando claro o quanto o tratamento é importante”, a mãe relatou.
Como as injeções poderiam ser doloridas, Vanessa optou por contratar uma profissional para aplicá-las. “Desde a primeira dose, ela nunca chorou. Sempre enfrentou com muita coragem”, ressaltou a mãe orgulhosa.
Sinais de puberdade precoce
O olhar atento de Vanessa foi essencial para a filha iniciar o tratamento o mais rápido possível. Afinal, a puberdade precoce pode levar à menstruação antes do tempo, bem como a questões emocionais devido às alterações dos hormônios.
“Há também a questão da adultização das crianças quando elas começam a ficar à frente do seu tempo e em relação aos pares da mesma idade. Isso traz um risco emocional”, alerta a endocrinologista.
Mas, quando procurar um especialista? Para isso, é preciso ficar de olho em alguns sinais importantes, como:
Gatilhos da puberdade precoce
Por trás da puberdade precoce podem existir muitas causas, desde origem genética e presença de lesões no sistema nervoso central à doenças adrenais, que afetam as glândulas adrenais (localizadas em cima de cada rim) responsáveis pela produção de hormônios, como cortisol, aldosterona e adrenalina, que regulam o metabolismo.
No entanto, alguns estudos também vêm apontando certos gatilhos para o desenvolvimento desse tipo de condição. “O uso de hormônios pelos pais ou por cuidadores muito próximos às crianças é uma causa muito comum do desencadeamento de puberdade precoce. As famílias que fazem reposição hormonal em gel de testosterona ou gel de estrógeno podem contaminar as crianças por contato, como um abraço ou compartilhamento de roupa de cama e pijamas”, destaca a especialista.
Uma nova vida
Hoje, Maria Clara já está com seis anos e vem progredindo muito bem. “Ela está ótima! Lê e escreve desde os 5 anos, faz natação, judô, estuda no período da manhã, ama brincar, dançar e ir para a casa da vovó. Leva uma vida absolutamente normal”, diz a mãe.
Como mensagem às famílias, Vanessa apela para os pais estarem atentos a todo sinal fora do comum nas crianças. “O nosso estilo de vida atual favorece muito a exposição aos disruptores endócrinos, que podem antecipar a puberdade”, pontuou. “Reconhecer os sinais cedo e agir dentro da janela de tempo correta faz toda a diferença na eficácia do tratamento”.
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