Dietas muito restritivas ou desequilibradas podem afetar o ciclo de crescimento dos fios
Existe uma relação direta entre a alimentação e a queda de cabelo, já que os fios dependem de nutrientes específicos para crescer de forma saudável. A falta de vitaminas e minerais pode enfraquecer a estrutura capilar, deixando o cabelo mais fino, quebradiço e propenso à queda. Além disso, dietas muito restritivas ou desequilibradas podem afetar o ciclo de crescimento dos fios, levando a uma queda mais intensa.
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“O bulbo capilar é um tecido de alta proliferação celular e possui uma demanda energética e nutricional significativa. Dietas muito restritivas em calorias ou que excluem grupos alimentares inteiros podem levar a deficiências de vitaminas, minerais e proteínas, resultando em uma condição conhecida como eflúvio telógeno, uma queda de cabelo difusa e acentuada”, explica a nutricionista Cida Mariosa, executiva do Núcleo de Nutrição da Biotec.
Além disso, a queda de cabelo pode ser um dos primeiros sinais de deficiência nutricional. “Como o cabelo não é um órgão ou tecido vital, seu corpo nunca priorizará essas necessidades nutricionais. Portanto, um desequilíbrio nutrológico geralmente afeta primeiro o cabelo, causando fraqueza e queda”, acrescenta a Dra. Marcella Garcez, nutróloga, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Referente a deficiências nutricionais, a ingestão inadequada de proteínas na dieta pode prejudicar a produção de cabelo e levar à sua queda, diz Cida Mariosa. “A insuficiência de micronutrientes como os minerais, ferro, zinco, silício e vitaminas do complexo B e vitamina D, é comumente associada à queda capilar”, acrescenta.
Segundo a médica Dra. Lilian Brasileiro, o simples fato da depressão calórica pode representar um insulto ao folículo capilar. “Temos visto muito isso, pois estamos na era de injeções para perda de peso rápida e intensa e, por fim, as bariátricas, as desnutrições propriamente ditas, como as de vitaminas e minerais, como ferro e zinco mais comumente”, explica.
Certos nutrientes são frequentemente citados quando se fala em saúde capilar. Isso porque eles desempenham papéis vitais e interconectados no ciclo de vida do cabelo, segundo Cida Mariosa. “A combinação de ferro, biotina, vitamina D, zinco e proteínas representa uma estratégia nutricional abrangente e cientificamente fundamentada para o tratamento da queda capilar. Eles trabalham em sinergia, potencializando seus efeitos e criando um ambiente bioquímico ideal para o crescimento e manutenção saudável dos cabelos”, comenta.
As células do folículo capilar que se dividem rapidamente (durante a fase anágena) têm alta demanda energética. “O ferro é essencial para a produção de hemoglobina, proteína que transporta e fornece o oxigênio necessário para que os outros nutrientes sejam metabolizados e utilizados pelas células do folículo”, explica.
De acordo com a nutricionista, a biotina, por sua vez, desempenha o papel de coenzima em várias reações metabólicas fundamentais, incluindo a produção de queratina, proteína responsável pela estrutura dos fios de cabelo.
“A vitamina D desempenha um papel crucial na regulação do ciclo capilar e na ativação de folículos dormentes; o zinco é essencial para a síntese de DNA e RNA, processos fundamentais para a divisão celular rápida dos folículos. Além disso, a ingestão adequada de proteínas garante que o corpo tenha os aminoácidos necessários para construir cabelos fortes e saudáveis”, destaca.

As proteínas são importantes para a construção de cabelos fortes e saudáveis. No entanto, segundo a Dra. Marcella Garcez, o consumo diário de proteínas deve ser individualizado e específico, considerando a idade da pessoa, o gênero, a atividade física, a profissão, o estado de saúde e os objetivos pessoais.
“As necessidades diárias podem ir de 0,6 a 2 g por quilograma ao dia. Geralmente, quem faz dietas de emagrecimento e pratica musculação deve consumir 2 g/kg ao dia. Carnes, peixes, aves e laticínios são as principais fontes de proteína e contam com aminoácidos essenciais, ou seja, aqueles que o corpo não consegue produzir”, explica.
Conforme a médica, as proteínas animais contam com aminoácidos essenciais para o organismo, como triptofano, fenilalanina, leucina, valina, isoleucina, lisina, treonina, metionina e histidina. No caso de fontes vegetais, ela explica que as proteínas precisam ser combinadas para garantir o mesmo efeito.
“Quando pensamos em construção do fio de cabelo, dois aminoácidos essenciais são mais relevantes: a metionina e a lisina. Por isso, no caso de uma dieta vegana, por exemplo, ela precisa contar com alimentos fontes desses aminoácidos, como feijão, lentilha, brotos, soja, grão-de-bico, quinoa, amêndoa, nozes e castanha-do-pará. A tradicional combinação brasileira de feijão com arroz é eficiente porque garante os dois: o arroz é rico em metionina e deficiente em lisina, enquanto o feijão é rico em lisina e deficiente em metionina”, diz a Dra. Marcella Garcez.
Não só de proteínas vive a saúde capilar. Alimentos com ação antioxidante também ajudam a manter os fios mais fortes. “A glutationa, por exemplo, é um antioxidante que desempenha um papel fundamental na luta contra os efeitos deletérios do estresse oxidativo sobre o folículo do cabelo, além de melhorar a microvascularização”, diz a Dra. Lilian Brasileiro. Entre os alimentos fontes de glutationa, estão abacate, melancia, morango, tomate, laranja, melão, pêssego e cebola. Vitamina C e E também são antioxidantes importantes.
Pessoas que estão em dietas restritivas em calorias ou que eliminam grupos alimentares inteiros são uma das principais indicações para suplementação de vitaminas e minerais. Cida Mariosa alerta, no entanto, que existe risco em consumir suplementos vitamínicos sem orientação profissional. “O conceito de que ‘se um pouco é bom, mais é melhor’ não se aplica às vitaminas e minerais. A superdosagem de certos nutrientes pode ser tóxica e ter efeitos adversos graves, incluindo, paradoxalmente, a piora da queda de cabelo”, explica.
Segundo ela, o excesso de vitamina A e selênio, por exemplo, está diretamente associado ao aumento da queda de cabelo por eflúvio telógeno. “A hipervitaminose D pode levar a um acúmulo de cálcio no sangue (hipercalcemia), causando problemas renais e cardíacos. Portanto, é fundamental que a suplementação seja sempre prescrita e acompanhada por um profissional de saúde, que poderá solicitar os exames necessários para identificar deficiências e indicar as doses seguras e eficazes para cada caso individual”, ressalta.
A nutricionista ainda cita ajustes na alimentação, com adequada reintrodução calórica e proteica, como uma maneira de sinalização para a retomada do crescimento dos cabelos, o que pode levar de 6 a 12 meses para recuperação.
Por Maria Claudia Amoroso
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