Salvino Oliveira, vereador do Rio de Janeiro eleito em 2024, foi preso durante a Operação Contenção Red Legacy, que investiga a relação entre políticos e o Comando Vermelho, após supostas negociações com traficantes para obter apoio eleitoral na comunidade da Gardênia Azul.
A investigação revela que Oliveira teria oferecido benefícios à facção, disfarçados como ações para a população local, incluindo a instalação de quiosques, com beneficiários indicados por membros do tráfico, sem transparência.
A operação visa desmantelar não apenas a estrutura do tráfico, mas também as conexões políticas e financeiras que sustentam a facção, com as investigações ainda em andamento para identificar outros envolvidos.
Eleito vereador do Rio nas eleições de 2024 com mais de 27 mil votos, Salvino Oliveira (PSD) foi preso nesta quarta-feira durante a Operação Contenção Red Legacy, deflagrada pela Polícia Civil do Estado do Rio para investigar a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV). De acordo com a investigação, o parlamentar teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como principal chefe do grupo nas ruas, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio, área dominada pela facção.
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Em troca, segundo a Polícia Civil, o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. Um dos casos citados pelos investigadores envolve a instalação recente de quiosques na região. Parte dos beneficiários, conforme apurado, teria sido indicada diretamente por integrantes da facção, sem processo público transparente.
Trajetória
Salvino Oliveira nasceu e foi criado na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio. Ainda criança, aos 7 anos, ingressou por sorteio no tradicional Colégio Pedro II, onde estudou durante parte da formação básica. Segundo ele, para se manter na escola e ajudar nas despesas, trabalhou em diferentes atividades informais ao longo da juventude. Entre os trabalhos relatados por ele estão a venda de água em sinais de trânsito e de balas em ônibus, além de funções como recepcionista em casa de festas.
Anos depois, ingressou no ensino superior e se formou em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2023.
Já em 2020, Salvino se aproximou do prefeito Eduardo Paes durante o período de campanha eleitoral. Em 2021, no início do terceiro mandato do prefeito Eduardo Paes, foi convidado a assumir a recém-criada Secretaria Especial da Juventude Carioca, tornando-se o primeiro titular da pasta.
À frente do órgão, implantou programas voltados à formação profissional e à inclusão social de jovens de comunidades. Entre as iniciativas está o Pacto pela Juventude, desenvolvido em parceria com a Unesco, que oferece formação e auxílio financeiro temporário para jovens lideranças comunitárias desenvolverem soluções para problemas locais.
Em 2024, Salvino disputou pela primeira vez uma eleição e foi eleito vereador do Rio pelo Partido Social Democrático (PSD), com mais de 27 mil votos. O resultado marcou sua entrada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Investigação sobre relação com o tráfico
A prisão ocorre no contexto da Operação Contenção Red Legacy, que investiga a estrutura nacional do Comando Vermelho e aponta a existência de uma organização com cadeia de comando estruturada, divisão territorial e atuação interestadual.
Segundo a Polícia Civil, a investigação também identificou a atuação de familiares do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, considerado uma das principais referências históricas da facção. Entre eles estão Márcia Gama, esposa do criminoso, e Landerson Nepomuceno, sobrinho dele, apontados como responsáveis por intermediar interesses e articulações do grupo fora do sistema prisional. Ambos são considerados foragidos.
As investigações também citam outros integrantes com funções estratégicas na estrutura criminosa, como Luciano Martiniano da Silva, apontado como responsável pela gestão financeira da facção, e Carlos da Costa Neves, indicado como operador de ordens da liderança.
A Polícia Civil afirma que a operação busca atingir não apenas os executores do tráfico, mas também as estruturas políticas, financeiras e institucionais que permitiriam a expansão do poder da organização criminosa. As investigações continuam.
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