Saleh Mohammadi, um jovem atleta promissor do wrestling iraniano, foi executado por enforcamento, interrompendo sua carreira em meio a um cenário de instabilidade e protestos no Irã.
Mohammadi foi acusado de ser responsável pela morte de dois policiais durante manifestações, mas negou envolvimento e sua condenação foi marcada por alegações de tortura e falta de um julgamento justo, segundo organizações de direitos humanos.
A execução ocorreu em uma prisão em Qom, e o caso é visto como parte de uma repressão mais ampla a opositores do regime, com as autoridades alegando influência estrangeira sobre os condenados, uma versão contestada por entidades independentes.
Saleh Mohammadi tinha 19 anos e começava a dar os primeiros passos em uma carreira que, dentro do wrestling iraniano, era vista como promissora. Integrante da seleção nacional e presença em competições de nível internacional, o jovem atleta teve a trajetória interrompida após ser executado por enforcamento.
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Descrito por pessoas do meio esportivo como disciplinado e sem histórico de violência, Mohammadi competia em torneios nacionais e já havia representado o país fora de suas fronteiras. A ascensão no esporte acontecia em paralelo a um cenário de instabilidade interna, marcado por protestos que ganharam força no fim de 2025.
Foi nesse contexto que o nome do atleta passou a aparecer nas acusações do regime. Ele foi apontado como um dos responsáveis pela morte de dois policiais durante manifestações em janeiro. Desde o início, negou envolvimento no caso. Ainda assim, acabou condenado à morte ao lado de outros dois homens, Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi.
Organizações de direitos humanos afirmam que o processo foi marcado por irregularidades. Segundo a ONG Iran Human Rights, a confissão atribuída a Mohammadi foi obtida sob tortura, e o jovem não teve acesso a um julgamento considerado justo. A entidade sustenta que o caso se insere em um padrão mais amplo de repressão a opositores.
Na sentença, o atleta foi enquadrado por “moharebeh”, termo do sistema jurídico iraniano que significa “guerra contra Deus” e costuma ser aplicado em casos ligados à segurança do Estado. As autoridades também alegaram que os condenados atuavam sob influência estrangeira, versão contestada por entidades independentes.
A execução ocorreu de forma sigilosa em uma prisão na cidade de Qom, um dos principais centros religiosos do país.
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