Polícia

Rapaz pediu socorro quando estava em motel com coronel; leia mensagens

Metrópoles | 11/04/22 - 10h03 - Atualizado em 11/04/22 - 10h36
Rapaz pediu socorro quando estava em motel com coronel; leia mensagens | Foto: Reprodução

O jovem de 21 anos que estava na companhia do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Edilson Martins da Silva, 47, no Motel Fiesta, em Taguatinga Norte, enviou mensagens a um amigo durante o trajeto de entrada no carro do PM até a chegada ao estabelecimento. O rapaz ainda mandou a localização duas vezes e enviou fotos da arma do oficial e do carro.

Na conversa, é possível ver que o amigo tentou ajudar o jovem dizendo que havia acionado a polícia. Ele ainda ligou seis vezes para o colega, mas não foi atendido.  Durante a conversa, o rapaz disse coisas como: “Um PM mandou eu entrar no carro dele” e: “O bicho tá pondo arma na minha cabeça”. A última mensagem enviada pelo jovem foi: “Tô preso amigo”, às 9h da manhã de sábado (9/4), quando ele e o PM foram detidos no motel.

As mensagens foram anexadas no processo do caso, enviado ao Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT). O coronel foi detido e autuado pelo crime de estupro por forçar relações sexuais. Ele foi internado em um hospital particular do DF após alegar mal-estar durante exame no Instituto Médico Legal (IML). O jovem está preso por disparo com arma de fogo e aguarda audiência de custódia.

Desentendimento - De acordo com o rapaz, ele foi abordado pelo coronel Edilson enquanto voltava a pé para casa, após se encontrar com um amigo em uma distribuidora de bebidas de Taguatinga. O policial teria oferecido uma carona e o convidado para, juntos, usarem drogas. Já dentro do carro do oficial, o jovem teria percebido que Edilson estava armado. Segundo ele, o policial o ameaçou e o coagiu a fazer sexo.

O rapaz detalhou que, dentro do veículo, o coronel começou a passar a mão na perna dele e em seu órgão genital e praticou sexo oral, com o carro em movimento. O jovem alega ter sido levado contra a vontade para um motel, após os dois terem consumido os entorpecentes.

O jovem contou que só aceitou entrar no motel porque se sentiu ameaçado por Edilson, que teria colocado a arma em sua cabeça. No quarto, eles usaram a banheira e chegaram a abrir uma camisinha, mas ambos negaram ter havido penetração.

Ele alegou que efetuou os disparos com a arma do oficial após ser impedido de deixar as dependências do local, já pela manhã. Em conversa com os policiais civis que atenderam a ocorrência, o rapaz mencionou que, após consumirem drogas no motel, os dois se desentenderam. Após a discussão, ele trancou o coronel da PM dentro da suíte e tentou sair do estabelecimento com o carro e a arma do oficial. Ninguém ficou ferido.

Edilson confirmou a versão do rapaz, mas negou que os atos sexuais tenham sido forçados. Segundo o coronel, tanto o sexo oral praticado por ele quanto pelo rapaz foram consentidos. Até a última atualização desta reportagem, ambos estavam presos: o coronel, por estupro; e o jovem, por disparo de arma de fogo.

O coronel é diretor de Apoio Logístico e Finanças, do Departamento de Logística e Finanças, do Comando-Geral da PMDF.

Em nota enviada ao Metrópoles, a PMDF comunicou que “será aberto processo apuratório para esclarecimento das circunstâncias do fato e que a corporação não coaduna com nenhum tipo de desvio de conduta de quaisquer de seus integrantes”.