Relógio da fertilidade: por que o auge da carreira não acompanha a reserva ovariana?

Especialista em reprodução humana explica o que acontece com a mulher após os 35 anos e reforça a importância do planejamento reprodutivo

Publicado em 18/02/2026, às 15h00
É possível fazer com que o planejamento da maternidade aconteça de forma consciente e segura por meio do acesso à informação (Imagem: Andrii Zastrozhnov | Shutterstock)
É possível fazer com que o planejamento da maternidade aconteça de forma consciente e segura por meio do acesso à informação (Imagem: Andrii Zastrozhnov | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

O sucesso profissional e a estabilidade financeira costumam atingir seu ápice por volta dos 40 anos, fase em que muitas mulheres se sentem finalmente prontas para a maternidade. No entanto, existe um descompasso silencioso entre a idade social e a biológica: enquanto a mente, disposição e a carreira estão a todo vapor, os ovários seguem um cronograma rigoroso. Segundo o Dr. Luiz Pina, ginecologista especialista em reprodução humana e endometriose da clínica Baby Center Medicina Reprodutiva, a reserva ovariana inicia um declínio acelerado a partir dos 35 anos, tornando a concepção natural um desafio a cada ciclo.

Desinformação nas redes sociais e seus impactos na fertilidade

Segundo o ginecologista Luiz Pina, algo que vem sendo crescente no consultório é a desinformação alimentada por supostas gestações naturais aos 50 anos e que ganham visibilidade nas redes sociais. Para o especialista, essa narrativa cria uma falsa sensação de segurança e gera frustração em pacientes tentantes.

“Na medicina, sabemos que a probabilidade de uma gestação natural com óvulos próprios aos 50 anos é raríssima, quase nula. As pessoas precisam ser responsáveis com informações e, uma vez que tornar o assunto público, é importante compartilhar as técnicas utilizadas, como a ovodoação ou o congelamento de óvulos”, pontua o Dr. Luiz Pina.

A ciência explica que, diferentemente dos homens, que produzem espermatozoides ao longo da vida, a mulher já nasce com um estoque limitado de óvulos que é perdido conforme ela envelhece. O Dr. Luiz Pina reforça que, aos 40 anos, além da quantidade reduzida, a qualidade genética dos óvulos também cai, aumentando as chances de abortos espontâneos e alterações cromossômicas.

Mulher grávida com o cabelo ruivo, liso e longo, sentada em poltrona usando um vestido laranja e com a mão na barriga sorrindo
A capacidade ovariana vai mudando ao longo dos anos, sendo que, aos 25 anos, a fertilidade da mulher costuma estar no auge (Imagem: Julia Zavalishina | Shutterstock)

Capacidade ovariana ao longo dos anos

  • 25 anos: fertilidade no auge;
  • 35 anos: início da queda acentuada na quantidade e qualidade dos óvulos;
  • 40 anos: chances de gravidez natural caem para cerca de 5% por ciclo;
  • A partir dos 45 anos: gestação natural é considerada uma exceção.

“Infelizmente, não temos como parar esse relógio biológico, mas, quanto mais incluirmos essa pauta na rotina da mulher jovem, o planejamento da maternidade pode acontecer de forma mais consciente e segura, evitando frustrações futuras”, explica o especialista do Baby Center, enfatizando a importância de a mulher saber que existem opções.

Por Bruna Nascimento

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