Reprovado em segurança, Renault Kwid chega ao Brasil ainda neste ano

Você compraria um modelo reprovado nas avaliações do principal programa independente de segurança automotiva, em nível mundial? Bom, nem uma semana depois de a subsidiária brasileira da Renault confirmar o lançamento nacional do Kwid, o subcompacto ind...

Publicado em 23/05/2016, às 19h02

Por Redação

Você compraria um modelo reprovado nas avaliações do principal programa independente de segurança automotiva, em nível mundial?

Bom, nem uma semana depois de a subsidiária brasileira da Renault confirmar o lançamento nacional do Kwid, o subcompacto indiano tomou bomba nos ‘crash tests’ do Global NCAP. O programa classificou os níveis de proteção para motorista e passageiro da frente como “pobre” e “mínimo”. É com estas chancelas que o lançamento chega ao país, em novembro, negativado no teste de colisão frontal – em que o veículo atinge uma barreira fixa a 64 km/h - e sem conseguir uma única estrela em cinco possíveis. Sua estrutura também foi avaliada como “instável” e, diante do mico, o fabricante corre para reverter o quadro de suspeição, apoiado por advogados da imprensa especializada.

Sempre prontas para assumirem a defesa da indústria automotiva, algumas publicações colocam panos quentes no fato e adiantam que o subcompacto nacionalizado trará reforços estruturais, além de freios ABS e bolsas infláveis frontais, que são obrigatórias no mercado nacional – a unidade testada pelo Global NCAP era equipada apenas com o airbag do condutor. A primeira argumentação dá conta de que o Kwid “made in Brazil” terá um aumento de peso da ordem de 20%, só em função destes reforços.

De acordo com um dos sites que advogam em favor da Renault, o peso do subcompacto saltaria dos “650 quilos da versão indiana para quase 800 quilos, na brasileira”. Bom, deve haver algo de errado com a balança usada nesta conta, afinal, o Kwid testado pelo Global NCAP pesava 914 kg e se somarmos mais 180 kg em sua massa, ele ficaria 70 kg mais pesado que o Sandero.

Na avaliação do programa, a região do tórax de motorista e passageiro da frente podem ter graves lesões, em caso de acidente, sendo que o carona também pode sofrer ferimentos nas pernas, decorrentes de seu choque com “estruturas perigosas” do console. A fixação para cadeirinha de crianças também teve avaliação crítica, mas, apesar de todos esses “indícios”, a Renault anuncia que o Kwid brasileiro será o primeiro modelo de sua classe equipado com airbags laterais como itens de série, desde a sua versão de entrada – hoje, o único modelo da marca a trazê-los é o Fluence, que não sai por menos de R$ 84.780.

Bom, o que dá para afirmar, com certeza, é que o Kwid passa a ser visto com desconfiança por uma parcela – a menos manipulável – dos consumidores e que a Renault terá trabalho para provar, em novas avaliações, que seu subcompacto é um veículo tão seguro quanto Fiat Mobi e Volkswagen Up!. Outra certeza é que o consumidor indiano não inspira tantos cuidados quanto o brasileiro. Já outra desconfiança é que o consumidor brasileiro pode não inspirar tantos cuidados quanto o europeu. Na dúvida, fuja do Kwid!

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