Conhecer as limitações e potencialidades do próprio organismo permite adaptar a hidratação e os períodos de descanso
Durante o Carnaval, o corpo é levado ao estado extremo de resistência física. Entre trios elétricos e desfiles nos sambódromos, há foliões que atravessam o período com disposição invejável. Por outro lado, alguns sentem o impacto rapidamente e levam horas — ou até dias — para se recuperar, especialmente quando há consumo de bebidas alcoólicas.
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A resposta para isso, segundo Gustavo Guida, geneticista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, é simples e está no DNA. “Quando bebemos, o corpo trabalha para metabolizar o etanol. O primeiro passo é converter o álcool em acetaldeído, um composto tóxico responsável pela sensação de náuseas e pela dor de cabeça associadas à ressaca”, explica.
Em algumas pessoas, a genética pode favorecer ou não a metabolização do álcool no organismo. “Existem variantes genéticas que fazem com que algumas pessoas metabolizem o álcool de forma muito mais lenta ou que acumulem acetaldeído rapidamente. Isso explica por que alguns sentem mal-estar, rubor facial e dor de cabeça logo no primeiro copo, enquanto outros parecem imunes aos efeitos imediatos”, acrescenta.
Contudo, conforme o geneticista, beber água entre as doses de álcool ajuda o fígado a trabalhar melhor, independentemente da genética.
Quando o assunto é resistência física para aguentar a maratona dos blocos, ela também passa pela ação dos genes, como o ACTN3, conhecido como o gene da força e da velocidade, que determina se seus músculos são mais propensos à explosão muscular ou à resistência de longa duração, como detalha Ricardo Di Lazzaro Filho, doutor em genética e cofundador da Genera, primeiro laboratório brasileiro especializado em genômica pessoal.
“Entender as limitações e potencialidades do próprio organismo permite adaptar a hidratação e os períodos de descanso durante o Carnaval. Se você sabe que seu corpo tem predisposição à recuperação muscular mais lenta, pode se planejar para aproveitar a festa sem comprometer a saúde. O autoconhecimento genético permite que as pessoas se cuidem melhor”, afirma.
Por meio de testes genéticos é possível descobrir painéis detalhados que impactam diretamente sua performance e saúde durante os dias de festa. O teste de pré-disposição ao alcoolismo, por exemplo, identifica a presença do gene chamado FAAH, responsável por uma proteína que regula as funções de um importante neurotransmissor envolvido na sensação de recompensa e no vício, enquanto o painel de sensibilidade à cafeína é ideal para quem recorre a energéticos para manter o ritmo.
No campo físico, a análise de recuperação pós-exercício indica o tempo necessário para as fibras musculares se regenerarem, e os painéis de saúde ajudam a entender predisposição à deficiência de vitaminas que pode baixar sua imunidade.

Para que a folia não deixe lembranças indesejadas, a resistência genética deve estar acompanhada da proteção contra riscos invisíveis, como orienta a infectologista Luísa Chebabo, do laboratório Bronstein, que elenca três dicas indispensáveis de saúde.
“O Carnaval é um período de muita exposição, e a prevenção é o melhor acessório para qualquer folião. Então agora é hora de se vacinar antes da festa começar e se proteger de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) usando preservativos”, comenta.
Por Rachel Lopes
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