Uma investigação da Polícia Federal revela que policiais civis da 44ª DP tentaram extorquir R$ 1,5 milhão do traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, para encerrar uma investigação contra ele, envolvendo o comissário Franklin Alves e o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves.
Interceptações telefônicas mostram tentativas de negociação entre Índio do Lixão e intermediários, com ameaças de prisão feitas pelos policiais para pressionar o traficante e seus associados, incluindo familiares e amigos.
A Polícia Federal continua a apurar as evidências, que incluem anotações sobre atividades ilícitas e reuniões entre os envolvidos, enquanto os policiais são investigados por suas ações corruptas.
Uma investigação da Polícia Federal aponta que policiais civis da 44ª DP (Inhaúma) teriam tentado extorquir o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho. Segundo a decisão judicial que embasou as apurações, foi exigido R$ 1,5 milhão para encerrar uma investigação policial em curso contra o criminoso. De acordo com o documento, o comissário Franklin Alves teria atuado na cobrança sob o comando do irmão, o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves, que comanda a unidade. A Polícia Federal afirma que os dois teriam exigido o pagamento do traficante com o objetivo de “encerrar a investigação em curso” contra Índio.
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Para pressionar o chefe do tráfico, os policiais chegaram a emitir intimações contra pessoas próximas a Índio do Lixão, entre elas a esposa do criminoso, Fernanda Ferreira Castro, o amigo Luiz Wanderley Pires de Azevedo, conhecido como “Play”, e o irmão dele, Carlos André dos Santos.
Conversas revelam negociações e intermediários
A investigação também identificou uma série de conversas interceptadas que detalham a tentativa de negociação para pagamento da propina. Em um dos diálogos citados na decisão, Índio do Lixão pergunta ao interlocutor identificado como Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o “Dudu”, sobre a situação envolvendo policiais da 44ª DP. Na conversa, Dudu relata que teria um encontro com Franklin na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, acompanhado de um homem chamado Leandro Moutinho de Deus, que estaria disposto a conduzir a negociação. Em outro momento do diálogo, Índio do Lixão se refere ao delegado como “o safado da 44”, ao perguntar sobre o encontro que seria marcado.
As conversas mostram tentativas sucessivas de organizar reuniões entre os envolvidos para tratar da questão. Em um dos registros, Franklin chega a tentar contato diversas vezes com Dudu para saber se um encontro havia ocorrido.
As mensagens também indicam encontros presenciais entre os intermediários. Em 26 de abril de 2025, Dudu convidou Leandro para ir até sua casa para realizar uma ligação para Franklin. Após a conversa, Dudu fez anotações em um papel e, mais tarde, enviou um vídeo mostrando a destruição das anotações em uma trituradora.
Segundo a análise da Polícia Federal, o conteúdo do papel teria referências a situações ilícitas envolvendo pessoas próximas ao grupo, incluindo menções a carros registrados em nome de terceiros e registros de vídeos com drogas e fuzis.
Ameaças de prisão
As conversas também indicam pressão sobre o grupo ligado ao traficante. Em determinado momento, Dudu relata que Franklin teria ameaçado pedir a prisão de todos os envolvidos, o que reforçaria a tentativa de pressionar para que o pagamento fosse feito.
Ainda segundo os diálogos, intermediários tentavam negociar uma solução para que a investigação “morresse”, expressão usada nas mensagens para indicar o encerramento do caso.
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