Saiba quanto foi a multa aplicada pelo Ibama contra acusados de espancar capivara

Publicado em 24/03/2026, às 13h32
A capivara foi maltratada e sofreu traumatismo craniano, com edemas e sangramento nasal - Reprodução
A capivara foi maltratada e sofreu traumatismo craniano, com edemas e sangramento nasal - Reprodução

Por Folhapress

Os acusados pelo espancamento de uma capivara no Rio de Janeiro foram multados em R$ 20 mil cada, totalizando R$ 160 mil, sob as novas regras do Decreto Cão Orelha, que visa aumentar a punição para maus-tratos a animais silvestres.

O ataque ocorreu na Ilha do Governador, onde os agressores utilizaram barras e ripas com pregos, resultando em ferimentos graves na capivara, que foi encontrada machucada e está sob cuidados veterinários.

Seis dos envolvidos tiveram suas prisões convertidas em preventivas, enquanto dois adolescentes devem ser internados provisoriamente, com todos respondendo por crimes de maus-tratos e associação criminosa, em um caso considerado de 'extrema crueldade' pela Justiça.

Resumo gerado por IA

Os acusados pelo espancamento de uma capivara na zona norte do Rio de Janeiro foram enquadrados no Decreto Cão Orelha e terão que pagar, cada um, R$ 20 mil por maus-tratos a animal silvestre. As multas somadas chegaram a R$ 160 mil.

É a primeira vez que o Ibama aplica as novas regras, editadas pelo governo federal em 13 de março. O decreto foi apelidado de "Cão Orelha", em referência a um cachorro comunitário morto após agressões em Florianópolis, em Santa Catarina, em janeiro.

O governo federal aumentou as multas para crimes ambientais, incluindo maus-tratos a animais silvestres. Com a mudança, os valores passaram de R$ 300 a R$ 3 mil para uma faixa de R$ 1.500 a R$ 50 mil.

Os seis presos após ataque a capivara (Foto: Reprodução / TV Globo)

Os ataques ao animal aconteceram na madrugada de sábado na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, Ilha do Governador. Os oito acusados utilizaram barras e ripas com pregos para agredir o animal.

Imagens de câmeras de segurança registraram os homens batendo na capivara. O mamífero herbívoro foi encontrado horas depois, todo machucado em um terreno baldio.

Equipes da Patrulha Ambiental da Prefeitura do Rio relataram que o bicho ficou gravemente ferido. A capivara foi sedada e segue aos cuidados da Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres.

As prisões dos seis envolvidos foram convertidas em preventivas e dois adolescentes envolvidos devem ser internados provisoriamente. A decisão foi publicada ontem pela Justiça fluminense, um dia após a repercussão do ataque a capivara na Ilha do Governador.

Isaías Melquiades, José Renato Beserra, Matheus Henrique Teodósio, Paulo Henrique Santana e Pedro Eduardo Rodrigues, e Wagner da Silva Bernardo vão responder à Justiça detidos, decidiu o TJRJ. Além disso, a Vara de Infância e da Juventude determinou que os dois adolescentes que foram flagrados participando do ato sejam apreendidos.

As prisões foram determinadas após imagens mostrarem o animal sendo perseguido e espancado pelo grupo. A capivara foi maltratada e sofreu traumatismo craniano, com edemas e sangramento nasal.

Uma pessoa disse para a polícia que tentou impedir as agressões e por isso apanhou também. Testemunhas relataram que o grupo já havia perseguido outros animais antes.

Todos os envolvidos devem responder por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Para conversão da prisão em preventiva, o Juízo descreveu o ato como de "extrema crueldade".

"A gravidade em concreto do delito demonstra a necessidade da prisão cautelar para a garantia da ordem pública. As imagens amplamente divulgadas pela mídia e que circulam nas redes sociais revelam a extrema crueldade do crime praticado. (...) Ante o exposto, converto a prisão em flagrante em prisão preventiva. Expeça-se mandado de prisão", disse o juiz Rafael Rezende.

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