por Ana Carla Vieira
Publicado em 30/03/2026, às 15h38
O valor do salário mínimo no Brasil está longe de garantir o básico para a sobrevivência digna de uma família. É o que aponta o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), ao estimar mensalmente quanto deveria ser o piso nacional para atender às necessidades previstas na Constituição.
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Com base na cesta básica mais cara do país — que, em fevereiro de 2026, foi a de São Paulo — o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.164,94. O valor corresponde a 4,42 vezes o salário mínimo vigente, de R$ 1.621,00.
O cálculo leva em consideração despesas essenciais como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Apesar de ligeira variação em relação aos meses anteriores, o cenário permanece crítico. Em janeiro deste ano, o mínimo ideal era de R$ 7.177,57 (4,43 vezes o piso), enquanto em fevereiro de 2025 o valor chegou a R$ 7.229,32 — equivalente a 4,76 vezes o salário mínimo da época, que era de R$ 1.518,00.
Os dados evidenciam que, mesmo com reajustes anuais, o salário mínimo oficial segue distante de cobrir o custo real de vida das famílias brasileiras.
Tempo de trabalho para comer também preocupa
A dificuldade de fechar as contas no fim do mês não se reflete apenas nos cálculos do salário ideal. Uma reportagem recente do TNH1 mostrou, na prática, o peso da alimentação no orçamento dos trabalhadores.
O levantamento revelou quanto tempo um trabalhador precisa dedicar do seu dia apenas para conseguir comprar comida em Maceió, evidenciando que uma parte significativa da jornada é comprometida apenas com a aquisição de itens básicos.
O dado reforça que enquanto o custo da cesta básica segue elevado, o salário mínimo real continua insuficiente, pressionando ainda mais o poder de compra e a qualidade de vida da população.
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