Somente nos primeiros cinco dias de 2026, a Central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Maceió atendeu oito casos de afogamentos — número que equivale ao total de todo o mês de janeiro do ano passado.
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Esse dado acende o sinal de alerta em meio à alta temporada de verão, quando praias, rios e piscinas ficam lotados de banhistas, muitos deles turistas desatentos aos riscos locais.
De acordo com o médico Mac Douglas de Oliveira Lima, coordenador geral do Samu em Alagoas, os números deste início de ano chamam a atenção pela velocidade com que os casos se acumulam.
“Em apenas cinco dias já atingimos a média de um mês inteiro do ano passado. Isso demonstra que ainda falta conscientização, principalmente entre adultos que se expõem ao risco após o consumo excessivo de álcool e entre famílias que relaxam na supervisão de crianças em ambientes aquáticos”, afirma.
Os dados reforçam a sazonalidade do problema: em 2025, Maceió registrou 40 casos de afogamento; em 2024, foram 47. Já na Central do Samu de Arapiraca, os números são menores — seis casos em 2025 e cinco em 2024 — o que confirma a tendência de maior incidência nas regiões litorâneas.
“A maioria dos afogamentos ocorre entre dezembro e janeiro, justamente nos meses de férias escolares e pico do turismo”, observa Mac Douglas.
O drama ganhou contornos trágicos no último domingo (4), quando uma mãe de 39 anos e o filho de 11 morreram em uma piscina no município de Maragogi, no Litoral Norte do estado. Inicialmente, o caso estava sendo tratado como afogamento, mas veio a confirmação de que os dois foram vítimas de descarga elétrica.
No entanto, esta situação ilustra dois perfis de vítimas comuns: crianças, por descuido na vigilância, e adultos, muitas vezes em situações em que o consumo de bebidas alcoólicas reduz a capacidade de reação.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), cerca de 16 brasileiros morrem por dia em acidentes aquáticos — muitos deles evitáveis.
Em Alagoas, o Samu trabalha em conjunto com o Corpo de Bombeiros, que atua na fase de busca e resgate, enquanto os profissionais do Samu entram em ação com os primeiros socorros e suporte avançado.
“Nossas equipes passam por um módulo específico no curso de APH Avançado de Vida destinado exclusivamente para o atendimento ao afogado, com aulas teóricas e práticas de resgate, ventilação, reanimação e estabilização”, explica Mac Douglas.
Apesar da prontidão das equipes, prevenir continua sendo a melhor estratégia. O Samu orienta que, em praias, os banhistas observem rigorosamente as sinalizações de perigo — muitas delas indicam correntezas fortes ou profundidade irregular, mas são ignoradas.
Em piscinas, o cuidado deve ser redobrado com crianças: nunca deixá-las sozinhas, mesmo por segundos, e manter cercas de segurança em residências com piscina.

Para adolescentes e adultos, a recomendação é clara: evitar o consumo de álcool antes ou durante o banho de mar ou de piscina. “A euforia do verão não pode ofuscar o senso de autopreservação. Água e álcool não combinam — é uma mistura que pode ser fatal”, alerta Mac Douglas.
Com as férias escolares ainda movimentando o litoral alagoano, o Samu reforça o apelo: diversão com responsabilidade salva vidas. E lembra: deve ser constante — o mar é imprevisível, e o afogamento silencioso.
Dicas para evitar afogamentos
- Manter atenção constante às crianças, respeitar os limites de cada local de banho e evitar brincadeiras perigosas em rios, lagos e piscinas são medidas indispensáveis, é fundamental para evitar o afogamento.
- Para os adultos, a principal orientação é nunca entrar na água após ingerir bebidas alcoólicas, já que o reflexo e o equilíbrio ficam comprometidos.
- Mesmo em locais rasos, crianças precisam estar sempre sob supervisão de um adulto responsável. É importante respeitar placas de sinalização e orientações de salva-vidas em praias e balneários. Antes de mergulhar, deve-se conhecer a profundidade do local, já que saltos em áreas rasas podem causar graves lesões na coluna.
- Em piscinas, recomenda-se instalar cercas de proteção e manter boias ou coletes adequados sempre à disposição. O uso de equipamentos de segurança, como colete salva-vidas, é indispensável em passeios de barco ou esportes aquáticos.
- Outro cuidado é evitar brincadeiras perigosas, como prender a respiração embaixo d’água, que podem levar à perda de consciência.
- Pessoas que não sabem nadar devem permanecer em áreas rasas e próximas às margens. Em caso de cansaço ou cãibras, a orientação é flutuar de costas e pedir ajuda.
- Os hotéis e pousadas devem fazer manutenção periódica na piscina como bombas e filtros, instalação elétrica (se houver), além da limpeza (filtrar) da água.
192 e 193
Em situações de urgência, deve-se ligar imediatamente para o Samu (192) ou para o Corpo de Bombeiros (193).
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