A Polícia Civil de Goiás concluiu a investigação sobre as mortes do secretário de Governo de Itumbiara, Thales Naves Alves Machado, e de seus dois filhos, classificando o caso como um duplo homicídio seguido de suicídio, ocorrido em 11 de fevereiro.
Thales demonstrou comportamento atípico antes do crime, incluindo a contratação de um detetive para monitorar sua ex-companheira, e a tensão aumentou após receber imagens dela com outro homem, o que pode ter contribuído para sua decisão trágica.
As investigações indicam que Thales agiu sozinho, e a cena do crime não mostrou a presença de terceiros, levando à recomendação de arquivamento do caso devido à morte do autor, enquanto os velórios das vítimas ocorreram na casa do avô.
A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito que investigava as mortes do secretário de Governo de Itumbiara, Thales Naves Alves Machado, 40, e de seus dois filhos, de 12 e 8 anos. O caso é tratado como duplo homicídio seguido de suicídio.
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O caso aconteceu no dia 11 de fevereiro, no condomínio onde moravam. O irmão mais velho, Miguel Araújo Machado, 12, morreu ainda na quinta-feira (12) após ser atingido pelos disparos.
O mais novo, Benício Araújo Machado, 8, estava internado em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual da cidade desde a noite do crime e morreu no final da tarde do dia 13.
Conforme o delegado Felipe Soares Sala, do GIH (Grupo de Investigação de Homicídios) de Itumbiara, o crime aconteceu entre 23h39 e meia-noite.
Segundo a investigação, horas antes do crime, Thales já apresentava comportamento considerado atípico. No período da tarde, ele teria procurado uma testemunha próxima ao casal e iniciado questionamentos sobre a ex-companheira, Sarah Araújo, tentando confirmar se ela estaria acompanhada de outra pessoa em São Paulo. Na ocasião, descobriu quem seria o suposto terceiro envolvido.
De acordo com a Polícia Civil, ele já havia contratado um detetive particular que atuava em São Paulo para monitorar a ex-companheira. Às 19h, o detetive entrou em contato para informar que havia conseguido imagens de Sara com outro homem. O suposto conteúdo, porém, só foi enviado às 22h50.
Para os investigadores, a informação foi suficiente para intensificar a tensão. Às 18h03, antes mesmo de receber informações do detetive, Thales ligou para os pais para marcar um jantar. Ele chegou à casa deles por volta das 19h10 e permaneceu até 20h10.
Em depoimento, afirmou o delegado, os pais afirmaram que, posteriormente, perceberam no encontro um "tom de despedida" e "um carinho a mais", algo que só teria feito sentido após o desfecho do caso.
Ao sair da casa dos pais, ele foi diretamente a um posto de combustíveis. Imagens e recibos mostram que ele chegou ao local às 20h13 e comprou quatro galões de gasolina. O frentista relatou à polícia que Thales aparentava estar "atordoado" e "nervoso". Segundo o depoimento, ele errou a senha do cartão de crédito diversas vezes antes de concluir o pagamento via Pix, às 20h21. Os dois filhos estavam dentro do veículo e, conforme a investigação, apresentavam comportamento considerado normal.
Câmeras de segurança registraram a chegada dele ao condomínio às 20h25, já com as crianças.
Entre 20h39 e 23h36, Thales tentou contato diversas vezes com Sarah. Às 20h39, o casal realizou uma última chamada de vídeo. De acordo com a polícia, a conversa não foi amigável e teria incluído ameaças por parte dele, afirmando que a vida dela "viraria um inferno". Após essa ligação, Sarah deixou de atender às chamadas.
Às 23h39, Thales publicou no Instagram uma foto com os filhos acompanhada de um texto interpretado pelos investigadores como uma mensagem de despedida, sugerindo que tiraria a própria vida e levaria os meninos consigo.
O prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, que era sogro de Thales, acompanhado de mais duas pessoas, foi quem chegou ao local e se deparou com a cena, na qual o secretário estava morto e os meninos, feridos.
De acordo com a perícia, os garotos estavam dormindo no momento em que receberam os disparos, já que Thales enviou à mãe deles uma foto em que eles dormiam, sob ameaças, na posição exata em que eles seriam atingidos em seguida.
A arma utilizada foi uma Glock G25.380, registrada no nome de Thales. Ao lado da cama, estava um isqueiro, mas que não foi acionado.
A análise da cena do crime, segundo o inquérito, não indicou a presença de terceiros. Por isso, foi sugerido arquivamento pela extinção da punibilidade pela morte do autor.
Os velórios aconteceram na casa do avô das crianças.
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