Setor de combustíveis diz que medidas do governo para conter alta do diesel são insuficientes

Publicado em 12/03/2026, às 15h36
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Por Folhapress

O governo anunciou medidas para conter a alta do preço do diesel, mas o setor de combustíveis e transporte considera as ações insuficientes, especialmente diante da diferença significativa entre os preços da Petrobras e as cotações internacionais.

O ICMS é o principal componente do custo do diesel, representando 19% do preço final, e líderes do setor, como Wallace Landim, pedem a isenção desse imposto para mitigar os impactos da alta nos combustíveis.

As distribuidoras e importadores alertam sobre a defasagem dos preços da Petrobras, que pode afetar o abastecimento nacional, enquanto a estatal não altera os preços do diesel há mais de 300 dias, dificultando a situação do mercado.

Resumo gerado por IA

As medidas anunciadas pelo governo para conter a alta do preço do diesel foram consideradas insuficientes pelo setor de combustíveis e por segmentos do transporte que vinham cobrando ação emergencial diante da crise.


Fontes do setor destacaram que a diferença entre o preço cobrado pela Petrobras e as cotações internacionais está hoje bem superior ao desconto de R$ 0,64 por litro concedido pelo governo com isenção de PIS/Cofins e subvenção a produtores e importadores.


Na abertura do mercado desta quinta-feira (12), por exemplo, o litro do diesel nas refinarias da estatal custava R$ 1,61 a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).


"A medida resolve parcialmente, mas é necessário chamar os governadores para que o governo federal possa discutir a questão da isenção também do ICMS dos estados, como foi feito no governo anterior referente à pandemia", disse Wallace Landim, um dos líderes dos caminhoneiros.


O ICMS é hoje o principal item de custos no preço final do diesel, fora o próprio combustível. O imposto representa R$ 1,17 por litro, o equivalente a 19% do valor pago, em média, pelo consumidor.


Landim é presidente da (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), entidade que ameaça convocar greve dos caminhoneiros caso o governo não tomasse medidas para enfrentar o aumento do preço dos combustíveis.


"A gente observou que, principalmente no Centro-Oeste, um aumento no diesel de mais de 25% nas últimas semanas. O que as distribuidores e os revendedores estão fazendo com essa manobra é inadmissível, porque não teve um aumento na Petrobras", afirmou à Folha de S.Paulo.


De fato, distribuidoras e importadores privadas repassaram a escalada das cotações internacionais aos volumes de diesel que trazem do exterior. Dona da maior refinaria privada do país, a Acelen já promoveu três reajustes no preço do diesel desde o início do mês.


Segundo a Edenred TicketLog, o preço médio do diesel subiu 7,7% no Brasil após o início da guerra. As maiores altas foram verificadas nas regiões Nordeste (8,79%) e Centro Oeste (7,11%).


A Petrobras, por sua vez, não mexe nos preços do diesel há mais de 300 dias, embora venha repassando parte da alta do produto importado em leilões, segundo fontes. Na semana passada, a presidente da estatal, Magda Chambriard, alegou que ainda era cedo para determinar em qual patamar ficariam as cotações do petróleo.


Distribuidoras e importadores alertam que a elevada defasagem dos preços da Petrobras dificulta importações privadas e pode afetar o abastecimento nacional, principalmente de diesel, produto mais pressionado pela guerra.


O país importa cerca de um quarto de seu consumo de diesel. Metade das importações é feita pela Petrobras, e a outra metade, por empresas privadas, que têm menor disposição para segurar preços.


Com as medidas anunciadas nesta quinta, elas podem importar o diesel com desconto de R$ 0,64, mas ainda assim com preço bem acima do praticado pela Petrobras.


"Em princípio, a medida é boa e necessária, considerando o preço do petróleo nesse patamar", disse o presidente da Abicom, Sérgio Araújo. "Mas ainda precisamos analisar melhor como vai funcionar a subvenção".

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