O júri popular do agente de trânsito Natan Ivo Tomás da Silva começou nesta quinta-feira, após três anos e meio da tentativa de homicídio contra o motorista de aplicativo Rommel Gomes Soares, em Maceió, resultante de um desentendimento entre eles.
Rommel relatou que foi agredido fisicamente por Natan após questionar sobre um problema de energia na rua, e que, em resposta ao ataque, foi baleado pelo agente, o que o deixou incapacitado para trabalhar por três meses.
O julgamento está sendo conduzido pelo juiz Yulli Roter Maia na 7ª Vara Criminal, e o caso destaca a violência no atendimento ao público por agentes de trânsito, além das consequências físicas e emocionais para a vítima.
O júri popular do agente de trânsito Natan Ivo Tomás da Silva teve início na manhã desta quinta-feira (19), três anos e meio depois da tentativa de homicídio a tiro contra o motorista de transporte por aplicativo Rommel Gomes Soares. O crime aconteceu no bairro Tabuleiro do Martins, em Maceió, depois de um desentendimento entre os dois.
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Em depoimento, logo no começo do julgamento, Rommel disse como foi o primeiro contato com o agente de trânsito que desencadeou uma agressão e um disparo de arma de fogo.
O motorista de app contou que questionou Natan Ivo sobre o trabalho de técnicos da Equatorial que resolviam um problema de desabastecimento de energia na rua onde residia. Sem saber o motivo, ele afirmou que o integrante da antiga SMTT o tratou mal e o agrediu fisicamente.
"Ele estava dentro da viatura e o outro [também agente] fazia o isolamento do lado de fora", explicou ao destacar também que se abaixou na altura da porta da viatura para ter a conversa com Natan Ivo, que estava sentado no banco do motorista. Nesse momento, o agente teria perguntado: "o que você quer?", e dado um tapa no rosto do motorista de app.
"Como qualquer se humano revidei. E ele pegou a arma e já atirou em mim, depois fugiu do local pegando o amigo que estava isolando a rua mais na frente", continuou Rommel ao reforçar que não houve discussão entre os dois.
"Só estava vendo o sangue", diz vítima
De acordo com a vítima, a bala entrou pela caixa torácica e saiu pelo braço, perto da axila. Rommel afirmou que, depois de baleado, foi socorrido pela tia, que morava em uma casa nas proximidades, e foi levado a uma Unidade de Pronto-Atendimento. Depois, o motorista de app foi levado ao Hospital Geral do Estado, onde recebeu o tratamento até a alta médica.
"Na hora não percebi onde tinha entrado, porque só estava vendo o sangue no braço. Ainda tenho a camisa em casa, o local onde a bala entrou ficou queimado", acrescentou no depoimento.
O motorista de app lembrou ainda que ficou cerca de três meses sem trabalhar. Ele disse que tinha dificuldades no retorno, pois o cinto de segurança o machucava, pois tocava no local da entrada do projétil.
O júri popular está sendo conduzido pelo juiz Yulli Roter Maia, na 7ª Vara Criminal da Capital, e é realizado no Fórum do Barro Duro.
O caso
Natan Ivo trabalhava na Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito quando atirou contra Rommel após um desentendimento no dia 10 de novembro de 2022, por volta das 17h, no bairro Tabuleiro do Martins.
De acordo com os autos, a vítima recebeu a ligação da esposa, que o informou sobre uma falta de energia na rua onde moravam. Rommel se dirigiu até o local onde uma equipe da empresa Equatorial Alagoas trabalhava, e dois agentes da SMTT auxiliavam a equipe.
Ao perceber que os funcionários da Equatorial deixaram o local sem solucionar o problema, a vítima foi até Natan Ivo para cobrar providências, o que resultou no desentendimento. O agente atingiu o rosto de Rommel, que revidou e foi alvo de um disparo de arma de fogo. Após cometer o crime, Natan Ivo fugiu do local na viatura da SMTT.
A bala atingiu uma placa de platina que estava adaptada na clavícula da vítima, sem provocar maiores gravidades. O homem se recuperou e passa bem.
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